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Leilão de títulos da Espanha causa reação negativa do mercado devido aos juros altos

Cristina Canas, Agencia Estado

27 de março de 2012 | 10h32

Hoje os mercados financeiros amanheceram tentando dar continuidade ao otimismo que prevaleceu ontem. Porém, os ganhos dos ativos considerados de risco, como é o caso de ações, moedas de países emergentes e até mesmo o euro perderam força simplesmente porque não há notícias boas. E além de não haver novidade positivas, o que foi noticiado hoje está permitindo interpretações dúbias.

É o caso, por exemplo, do leilão de títulos da Espanha. O país vendeu mais de 2,5 bilhões de euros em papéis de seis meses, dentro do volume que pretendia, mas os custos da rolagem da dívida subiram. Essa alta nos juros da dívida reflete a preocupação dos investidores com a capacidade que o governo terá de cumprir as metas orçamentárias, principalmente depois do resultado das eleições regionais deste último final de semana, em que perdeu espaço. Também está pesando negativamente nos mercados um vazamento de gás que aconteceu no mar do Norte, numa plataforma de uma empresa francesa.

Com a Europa pesando negativamente, de novo a esperança recai sobre os Estados Unidos, onde serão divulgados diversos indicadores. E se os resultados forem positivos, têm possibilidade de alavancar os negócios. Lá saem dados de preços de moradias, atividade industrial regional de Richmond e de confiança do consumidor de março.

Além disso, o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, depõe sobre "O impacto da ajuda do Fed à zona do euro" em audiência do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara. No mesmo horário, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, depõe sobre o Orçamento em audiência do Subcomitê de Apropriações da Câmara, em Washington. Mais tarde, às 13h45, Bernanke volta à cena para falar sobre "O Federal Reserve e a crise financeira".

Internamente, o mercado de câmbio continua de olho em possíveis medidas do governo para segurar o real. O destaque de hoje é o leilão de swap cambial reverso, que representa compra de dólares, mas a operação visa somente a rolagem de contratos que vencem no início de abril. Serão oferecidas operações que somam valor financeiro equivalente a até US$ 2,06 bilhões. A operação acontece das 11h15 às 11h30 e o resultado será conhecido a partir das 11h45.

Na agenda doméstica está prevista a divulgação de dados de arrecadação, que o mercado sempre acompanha, mas o mais importante devem ser os números referentes ao crédito. O mercado está particularmente incomodado com a inadimplência, que cresceu em janeiro. A princípio essa alta deve ser sazonal, já que o início do ano concentra várias despesas extra, mas os analistas querem ter certeza com base nos números.

Quanto aos volumes de crédito, são importantes como sinalizadores do ritmo da atividade econômica e também da confiança que o sistema financeiro e os consumidores têm na economia. Com certeza, o governo gostaria de ver esses números de crédito e de inadimplência virem bons já que todo o empenho tem sido no sentido de estimular a atividade econômica. Ontem mesmo o ministro da Fazenda apresentou mais incentivos ao consumo e à produção com desonerações de impostos e promessas de novas medidas nesse sentido.

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