Dólar acompanha volatilidade externa e fecha em alta

O dólar fechou em alta pelo segundodia seguido nesta quinta-feira, em uma sessão que acompanhou deperto a volatilidade dos mercados internacionais. A moeda norte-americana fechou a 1,758 real, com alta de0,34 por cento. Em fevereiro, no entanto, o dólar acumula baixade 0,11 por cento. A taxa de câmbio ficou "colada lá fora", disse José RobertoCarreira, gerente de câmbio da Fair Corretora. "O pessoal ficoude olho nos números que saíram nos Estados Unidos." No meio da tarde, as bolsas em Nova York operavam emdiscreta alta. Mais cedo, após dados sobre auxílio-desemprego esetor imobiliário, as ações chegaram a registrar queda, com oNasdaq em baixa de mais de 1 por cento. De olho no exterior, o dólar chegou a superar 1,77 real namáxima do dia, com alta de mais de 1 por cento. Esse momento coincidiu com o leilão de compra realizadopelo Banco Central no mercado à vista. Na operação, feita pelamanhã, a autoridade monetária definiu taxa de corte a 1,771real e aceitou entre uma e duas propostas. FLUXO NEGATIVO A instabilidade no exterior já foi responsável pela saídalíquida de 2,357 bilhões de dólares do Brasil em janeiro. Osdados, divulgados pelo BC nesta quinta-feira, mostraram que asoperações financeiras --compostas pelas transações na bolsa,por exemplo-- foram novamente as responsáveis pelo déficit. No período, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) viu aretirada de 4,73 bilhões de reais dos estrangeiros, cautelososcom a crise nos Estados Unidos. A saída do mês passado é maiorque todo o déficit acumulado em 2007. Os números, no entanto, sustentaram o motivo pelo qual odólar terminou janeiro mais barato do que começou, mesmo com asaída de recursos. Segundo o BC, os bancos reduziram asposições compradas em dólar de 7,332 bilhões de dólares nofinal de dezembro para 2,790 bilhões de dólares no encerramentode janeiro. Isso significa que quase 5 bilhões de dólares foram"despejados" pelas instituições financeiras no mercado à vista.Mesmo no mês turbulento, o dólar acumulou baixa de 0,96 porcento. "(Os bancos) venderam no spot (dólar à vista) e aplicaramno mercado futuro de índice (de juros) para serem remuneradosem reais. Vão ter um ganho muito maior do que se ficassem(aplicados) em dólar", disse Francisco Gimenez Neto, diretoroperacional da NGO Corretora. Isso ocorreu, segundo Gimenez, principalmente pelo aumentoda diferença entre os juros no Brasil e nos Estados Unidos.Enquanto aqui a taxa básica permaneceu em 11,25 por cento aoano, lá o Federal Reserve reduziu o juro para 3,0 por cento.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

07 de fevereiro de 2008 | 16h30

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