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Dólar alto eleva exportação em 2014, vê dirigente da AEB

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), diz que "o câmbio desvalorizado só vai aumentar a exportação em 2014, porque o Brasil ficou muito fora do mercado de manufaturados".

FERNANDO DANTAS, Agencia Estado

06 de setembro de 2013 | 19h09

A AEB não tem uma projeção fechada para 2014, mas Castro diz que pode haver um saldo positivo de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões, "com ajuda dos preços das commodities, que podem parar de cair".

A projeção da AEB é de déficit comercial em 2013 de US$ 2 bilhões, com exportações de US$ 230,511 bilhões e importações de US$ 232,5 bilhões. Em 2012, o Brasil exportou US$ 242,580 bilhões e importou US$ 223,149 bilhões, com saldo positivo de US$ 19,431 bilhões.

Para Castro, os anos de câmbio valorizado limitaram muito a exportação de manufaturados brasileiros, que hoje acontecem em boa parte em operações "intercompany", e espaços foram ocupados por concorrentes de outros países.

Castro considera que um câmbio a R$ 2,30 traz a competitividade de volta para 50% dos exportadores de manufaturados, mas ressalva que há várias etapas antes de isso se refletir em aumento significativo de exportações. "O exportador tem que ter certeza de que o câmbio vai se manter desvalorizado, para então vender, produzir e entregar - isso é algo que só vai ter reflexo em 2014", analisa.

Segundo Castro, "50% dos exportadores ficam competitivos com câmbio a R$ 2,30, 60% com R$ 2,40, 80% com R$ 2,50 e 100% com R$ 2,60".

O presidente da AEB não se impressiona com notícias de aumento de exportações em alguns setores, como calçados. "US$ 20 milhões ou US$ 30 milhões a mais não fazem diferença num total exportado de US$ 800 milhões", pondera.

Para Castro, o efeito do câmbio na redução das importações, porém, é mais rápido e pode se fazer sentir neste ano. Ele lembra que a alta do dólar se combinou com as manifestações de junho e a queda de confiança de empresários e consumidores, o que deve ter impacto nas encomendas das empresas para o fim do ano.

Castro nota ainda que o efeito da desvalorização do câmbio só atinge os manufaturados, que estima serem responsáveis por 30% a 33% das exportações brasileiras (estes números colocam produtos como açúcar, suco de laranja e etanol como commodities, e não como produtos industrializados, como ocorre nas estatísticas oficiais).

O presidente da AEB observa que uma reação maior do saldo comercial brasileiro implica também uma reversão da tendência do número de empresas exportadoras e importadoras ao longo dos últimos anos. De 2006 a 2012, as empresas exportadoras caíram de 20.591 para 18.630, enquanto as empresas importadoras quase dobraram entre 2004 e 2012, de 22.410 para 42.458. Ele usou o ano inicial de 2006, no caso das empresas exportadoras, porque houve uma mudança na metodologia de contabilização nesse ano.

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