Nilton Souza
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Dólar alto faz Mondial investir na fabricação de eletroportáteis no País

Com a medida, fabricante também busca exportar para os demais países do Mercosul, como a Argentina; R$ 47 milhões estão sendo aplicados na fábrica da Bahia

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2020 | 05h00

O novo patamar do câmbio, cotado acima de R$ 5, acelerou ainda mais os planos de Mondial, fabricante de eletroportáteis, de nacionalizar a produção. No mês passado, a empresa anunciou que iria fabricar no País batedeiras, ventiladores de grande porte usados em comércios e igrejas, caixas de som e cooktops. Agora acrescentou à lista mais quatro produtos: ferro elétrico tradicional, ferro a vapor e dois modelos de fritadeira elétrica. “Com o dólar se consolidando acima de R$ 5, entrou no nosso radar a fabricação local de mais produtos”, afirma o sócio-fundador da empresa, Giovanni Marins Cardoso.

Ele conta que os quatro primeiros eletroportáteis nacionalizados começam a ser produzidos na fábrica em Conceição do Jacuípe, no Recôncavo Baiano, em agosto. Em setembro começarão a ser produzidos os outros quatro itens. Também a empresa analisa a nacionalização de mais dois eletroportáteis: chaleira e processador. Neste caso, a decisão ainda depende de estudos técnicos e avaliação de mercado.

Até o ano passado, esses oito eletroportáteis eram fabricados na China. A empresa desenvolvia os moldes no Brasil e os fornecedores fabricavam o produto sob encomenda. Cardoso explica que com o dólar cotado ao redor de R$ 4, era mais vantajoso produzir no país asiático porque o custo de produção era 25% menor comparado ao do Brasil. “Neste momento, com o dólar acima de R$ 5, os custos de produção entre Brasil e China estão equiparados.”

Exportações

Além do dólar, outro fator que pesou na decisão de nacionalizar esses itens foi a intenção da companhia de expandir as exportações para países do Mercosul, especialmente a Argentina. O país vizinho não tem uma indústria forte de eletroportáteis. “A Argentina aplica lei anti dumping na importação de ferro elétrico. Se fabricarmos no Brasil, ficaremos fora dessa restrição”, explica o empresário. Ele conta que as exportações da companhia para a região são muito pequenas e, produzindo no Brasil esses eletroportáteis, será possível ampliar significativamente as vendas.

Na primeira fase de nacionalização, cuja produção começa em setembro, a companhia está contratando 215 trabalhadores. Agora, com mais itens fabricados localmente, planeja admitir mais 200 empregados para a fabrica da Bahia. Estão sendo aplicados na planta industrial R$ 47 milhões para ampliar a capacidade das linhas de produção.

Com a primeira rodada de nacionalização, a fatia de produtos fabricados localmente sai de 55% para 65% no total da empresa. Agora com mais quatro eletroportáteis incluídos nessa lista, esse indicador sobe para 72%. E a meta é atingir 80% de produtos nacionalizados do total produzido pela companhia até o início do ano que vem.

Em 2019, a Mondial faturou R$ 2 bilhões. No último trimestre de 2019, a marca respondia, em média, por 36% das vendas totais de eletroportáteis no varejo.

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