Acervo pessoal
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Dólar alto não assusta brasileiras grávidas nos EUA

Segundo consultoras, casais brasileiros ainda encontram vantagens em viajar para os Estados Unidos para adquirir o enxoval do bebê

Gabriel Roca, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2018 | 18h07

A valorização do dólar, que acumula alta de mais de 25% no ano, tem atrapalhado a vida de quem faz planos para viajar. Entretanto, há uma classe de profissionais no segmento do turismo de consumo que afirma que o câmbio alto não é prejudicial. As consultoras de compras, ou 'personal shoppers' - brasileiras que vivem nos Estados Unidos e orientam turistas que fazem compras por lá - garantem que a demanda de clientes segue a todo vapor. E não muda nem se o dólar bater em R$ 5.

"A gente percebe que quando o dólar sobe, os clientes param de responder os e-mails. Mas em uma semana eles já estão fechando os pacotes e preparando as malas", conta Priscila Goldenberg, profissional que atua principalmente no segmento de enxoval para bebês.

Sua empresa atende uma média de 100 casais por mês, a maioria das classes alta e média alta, e possui bases de operação nas cidades de Miami, Orlando, Nova Iorque, Los Angeles e Las Vegas.

É a mesma percepção de Paula Laffront, que também atua no nicho. De acordo com ela, o dólar alto assusta os clientes em um primeiro momento, mas logo os preços dos produtos são reajustados também no Brasil e, no fim das contas, os clientes percebem que vale a pena viajar para os exterior para fazer suas compras. "Mesmo se o dólar chegar a R$ 5, continua compensando vir aos Estados Unidos", afirma.

Fábio Mariano, especialista em comportamento do consumidor e professor da ESPM, acredita que a variação da moeda tem um impacto pequeno no público que é atendido por esse tipo de profissionais. De acordo com ele, um dos motivos é que o público de renda mais alta tende a possuir reservas em moeda estrangeira.

"E ainda há uma série de produtos que não são encontrados no mercado brasileiro. Quem está indo para lá vai procurar algo que não vai encontrar por aqui. E além disso, o mercado americano oferece muitas vantagens para o cliente. É o rei da promoção", afirma.

Um levantamento preparado por Priscila, com 30 itens que compõem uma cesta de compras média de seus clientes, aponta que a diferença de preço entre uma compra no Brasil e nos Estados Unidos chega a R$ 10.500, ou 120%. O estudo foi feito com o dólar cotado a R$ 4,30. Segundo ela, em média, seus clientes desembolsam de US$ 3,5 mil a US$ 5,5 mil para comprar os itens para seus bebês.

De acordo com Paula, que além dela possui mais sete consultoras em sua equipe, o enxoval de bebê nos Estados Unidos virou uma lista de desejo, como são os 'chás de bebê' e já faz parte da 'gravidez' do seu público.

"É toda uma experiência que conta. Além disso, os clientes que buscam qualidade nos produtos nunca deixam de viajar para comprar, pois a qualidade dos produtos estrangeiros é muito superior", afirma.

Elas também afirmam que em épocas de alta do dólar, é comum que companhias aéreas façam promoções para os traslados. Ainda, como os clientes têm poder aquisitivo mais alto, acabam conseguindo comprar as hospedagens e passagens aéreas por programas de milhas, o que reduz os custos. As duas, que já desempenham as atividades há pelos menos 10 anos, contam que já viveram outros períodos de alta do dólar e que, mesmo nestas épocas, o movimento segue o mesmo.

Em média, o dia de compras orientado pelas consultoras sai por volta de US$ 400. Como possuem parcerias com as lojas, elas afirmam conseguir ainda mais descontos para os clientes.

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