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Dólar alto não tira polo exportador do sufoco

Guinada cambial onera custo de produção de fábricas que compram insumos no exterior

Ian Chicharo Gastim, O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2015 | 03h00

Após duas décadas de real valorizado, o câmbio mudou de patamar. E o que em princípio despontaria como um alívio para o empresário, sobretudo o industrial exportador, vai na verdade se tornando mais um agente de pressão sobre os já pesados custos locais de produção.

Em polos especializados, como o calçadista de Franca e o moveleiro de Santa Catarina, a alta do dólar em cerca de 40% encareceu a importação de insumos. Se antes as fábricas compravam matéria-prima no exterior a um preço mais acessível para ‘montar’ os produtos no País, agora, com a escalada da moeda norte-americana, isso ficou mais caro. Em Franca, no interior de São Paulo, a depreciação cambial tem sido uma dor de cabeça para as empresas. Apesar do aumento de 3,71% das exportações, o faturamento em dólar foi 6,2% menor no acumulado do ano até outubro, ante o mesmo período de 2014, segundo o Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca). E a queda está relacionada à desvalorização do real. “A mesma taxa cambial que favorece as exportações aumenta nossos custos, pois parte dos insumos são importados”, afirma o presidente do Sindifranca, José Carlos do Couto.

Em 2015, o polo deve fechar o ano com apenas 7,81% da sua produção direcionada para fora do País. Em 1993, no pico da procura internacional, Franca chegou a destinar 50% de sua produção para o mercado externo.

“Franca está passando por um momento difícil, com alta de custos e o mercado interno em baixa”, afirma José Rosa Jacomete, dono da Anatomic Gel. O empresário, porém, diz que tem conseguindo manter a média de 40% da produção para o exterior em função de sua aposta em valor agregado, além da distribuição própria. “Vendo de 150 mil a 170 mil pares por ano só para a Europa, mas porque eu mesmo faço a distribuição a partir de Londres”, conta o empresário.  

No oeste de Santa Catarina, as empresas que participam do polo moveleiro da região estão atualmente com “baixa motivação para exportar”, afirma o presidente da Associação dos Moveleiros do Oeste de Santa Catarina, Osni Carlos Verona.

De acordo com ele, como a maior parte da matéria-prima vem de outros estados, o custo com a logística acaba não compensando a desvalorização do real, tirando competitividade do polo no mercado exterior.

“Até 2009, eram 45 exportadoras, mas hoje temos em torno de 15. Estamos produzindo peças, cada vez mais, com rentabilidade menor”, diz Osni.

Imprevisível. Para Maurício Tedeschi, coordenador de projetos de comércio varejista do Sebrae, empresas não podem pautar a decisão de exportar ou não com base apenas no dólar, por causa da falta de previsibilidade da moeda. “Com uma estratégia adequada, focada em produtos de valor agregado, com uma ‘marca brasileira’, a empresa aumenta as chances de sucesso no comércio exterior”, afirma.

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