Dólar alto prejudica balanço das empresas de papel do País

Afetadas pela crise financeira, Aracruz zera todo o lucro de 2007 e Votorantim passa do azul para o vermelho

Reuters e Agência Estado,

17 de outubro de 2008 | 14h50

A valorização de cerca de 17% do dólar no trimestre passado e o cenário de incertezas econômicas causou estragos pesados nos primeiros balanços do setor de papel e celulose. A exposição a derivativos cambiais fez a Aracruz sofrer um prejuízo no trimestre que anulou o lucro de todo o ano de 2007 e a Votorantim Celulose e Papel (VCP) passou do azul para o vermelho, afetada pelo efeito cambial sobre sua dívida em moeda estrangeira.   Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    A Aracruz teve prejuízo líquido de R$ 1,642 bilhão no terceiro trimestre e cortou em cerca de US$ 900 milhões investimentos que estavam previstos até 2009. Em todo o ano de 2007, a companhia teve lucro líquido de R$ 1,04 bilhão. Na véspera, outra empresa do setor a cortar investimentos e divulgar prejuízo foi a Klabin, maior do segmento de papéis e embalagens.   A Aracruz está envolvida em um processo de fusão com a VCP que foi suspenso diante das perdas com derivativos e do quadro de incerteza econômica. A VCP teve prejuízo de R$ 586 milhões no trimestre passado, ante lucro de R$ 278 milhões um ano antes.   Entre os investimentos revistos da Aracruz está a suspensão temporária da expansão da fábrica de Guaíba, no Rio Grande do Sul, e de compra de terras e formação de florestas para a joint venture Veracel, na Bahia, e para o terceiro complexo fabril no país a ser instalado na região de Governador Valadares (MG).   A Aracruz informou despesa financeira líquida de R$ 2,462 bilhões no trimestre encerrado em setembro, contra receita de R$ 241,9 milhões um ano antes. O resultado financeiro foi impactado por operações com derivativos em que a empresa matinha posições vendidas em dólar numa taxa média de R$ 1,76. Em setembro, o dólar se valorizou em 17%, fechando a R$ 1,906.   O total de contratos de dólar futuro de tipo "target forward" da Aracruz no terceiro trimestre tinha valor justo negativo de R$ 1,692 bilhão ante R$ 26 milhões positivos no segundo trimestre. O efeito da variação cambial resultou ainda em despesa contábil de R$ 347 milhões no trimestre passado sobre a dívida da companhia, que fechou em R$ 3,19 bilhões ante R$ 2,06 bilhões um ano antes.   Alívio   O prejuízo não foi ainda maior porque a companhia registrou um crédito tributário de R$ 788 milhões, de acordo com o balanço divulgado nesta sexta-feira. "Apesar de os fundamentos do negócio da Aracruz permanecerem sólidos... a liquidez da companhia tem sido seriamente afetada pela baixa disponibilidade de crédito e pelo aumento da percepção de risco do mercado financeiro", afirmou em comunicado o vice-presidente de finanças Valdir Roque, recentemente integrado à companhia após a saída do antecessor Isac Zagury, no mês passado.   Operacionalmente, a geração de caixa ajustada - medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) - atingiu R$ 323,7 milhões no trimestre encerrado em setembro. No mesmo período do ano passado, o Ebitda da empresa havia sido de R$ 394,4 milhões. A margem Ebitda ajustada da empresa caiu de 45 para 40%.   A receita líquida somou R$ 801,6 milhões, queda de 8% sobre o terceiro trimestre de 2007. Em volume, as vendas de celulose recuaram 10% no período, para 679 mil toneladas. Em termos de produção, a Aracruz registrou alta de 7% em celulose, para 810 mil toneladas.   Tecnologia   No mercado internacional, Sony Ericsson e Honeywell divulgaram seus balanços nesta sexta. A joint venture formada entre a japonesa Sony e a sueca Ericsson, saiu de lucro para prejuízo no terceiro trimestre deste ano, prejudicada pela queda das vendas e pelo enfraquecimento da demanda. O prejuízo líquido da empresa no período foi de 25 milhões de euros (US$ 33,5 milhões), em comparação com o lucro líquido de 267 milhões de euros obtido um ano antes. A companhia afirmou que o programa de cortes de custos colaborou para que a perda fosse menor do que a projetada.   As vendas líquidas da Sony Ericsson caíram 9,7% no terceiro trimestre, para 2,81 bilhões de euros, de 3,12 bilhão de euros no mesmo período de 2007. A fabricante de aparelhos telefônicos informou que embarcou 25,7 milhões de aparelhos nos três meses terminados em 30 de setembro, 5,3% acima do nível do trimestre imediatamente anterior. As vendas nas Américas e na Ásia diminuíram levemente, enquanto na Europa Ocidental cresceram 5% em relação ao segundo trimestre.   A Sony Ericsson afirmou que projeta crescimento de 10% do mercado global de aparelhos telefônicos neste ano, a partir de 1,1 bilhão de unidades de 2007, com aumento maior nos países emergentes.   Já o conglomerado industrial Honeywell informou que obteve lucro líquido de US$ 719 milhões (US$ 0,97 por ação) no terceiro trimestre deste ano, 16,3% maior que o de US$ 618 milhões (US$ 0,81 por ação) de igual período do ano passado. A receita aumentou 6,2% nessa base de comparação, atingindo US$ 9,26 bilhões. Analistas consultados pela Thomson Reuters previam em média lucro de US$ 0,95 por ação e receita de US$ 9,59 bilhões.   A companhia disse que conseguiu, em certa medida, isolar suas operações internacionais das dificuldades por que passa a economia norte-americana. Seu executivo-chefe, Dave Cote, disse que a demanda pela tecnologia do grupo e sua posição em diversos setores ajudarão a empresa a continuar registrando bom desempenho apesar das condições atuais.

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