Dólar alto reduz déficit nas contas externas

Saldo negativo foi de US$ 3,32 bi no mês de março, mais de US$ 1 bi abaixo do previsto

FERNANDO NAKAGAWA , ADRIANA FERNANDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h09

O dólar cada vez mais alto, somado a uma economia que ainda patina, fez com que as contas externas terminassem março com desempenho além do esperado. Em um mês em que o câmbio passou dos R$ 1,80, pagar contas no exterior ficou mais caro e a saída da moeda recuou. Ao mesmo tempo, a alta deu fôlego às exportações. Com isso, o déficit em transações correntes - resultado da negociação de bens e serviços com o exterior - foi de US$ 3,32 bilhões, mais de US$ 1 bilhão abaixo do previsto.

Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que, com o atual câmbio, a saída de dólares diminuiu por vários canais. Uma das reações mais evidentes ocorreu na menor remessa de lucros por multinacionais. Em março, o total enviado às sedes somou US$ 1,96 bilhão, 47% menor que um ano antes. No trimestre, a queda foi de 58%.

A explicação é simples: com cotações mais altas, o mesmo lucro em real se transforma em menos dólares. Por isso, algumas companhias preferem esperar cotação mais favorável. "O câmbio interferiu, sem dúvida", reconhece o chefe do departamento econômico do BC, Tulio Maciel. O dólar também encarece viagens ao exterior e a compra de importados.

A menor saída de dólares é reforçada pelo ritmo fraco da economia. Como a atividade tem crescido menos que o previsto, a demanda por bens e serviços do exterior enfraquece. O fato reduz a importação. Para completar, o quadro também modera vendas das multinacionais, o que potencializa o processo.

Maciel preferiu não fazer relação entre a menor atividade e o resultado das contas externas. Ele avalia que a evolução do déficit está dentro do esperado e repetiu a previsão de aumento dos saldos negativos, à medida que a atividade econômica mostre crescimento mais vigoroso.

Ajuda. Enquanto essa reação não é vista, o próprio BC parece ter arregaçado as mangas para ajudar o governo na chamada "guerra cambial". Em março, a instituição comprou US$ 3 bilhões no mercado à vista. Nos 20 primeiros dias de abril, as intervenções já somam US$ 5,54 bilhões, sendo US$ 4,38 bilhões apenas na semana passada - mais do que todo o mês passado, o que explica a subida das cotações para perto de R$ 1,90 nos últimos dias.

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) somou US$ 5,88 bilhões em março, mais que suficiente para compensar o déficit nas transações correntes. Maior que os US$ 4,1 bilhões previstos pelo mercado, a cifra também pode ter sido influenciada pelo dólar. "Os investimentos são de longo prazo, mas é possível que a taxa de câmbio influencie no momento de entrada do dinheiro no Brasil", diz Maciel.

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