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Efeito Moro faz dólar subir para R$ 5,52 e Bolsa brasileira fechar em queda

Com rumor sobre saída do ministro, moeda dos EUA tem alta de 2,2% e acumula valorização de 40,9% em 12 meses; Bolsa recuou 1,26%

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 09h06
Atualizado 23 de abril de 2020 | 21h26

O dólar  prossegue a sua impressionante escalada frente ao real e nesta quinta-feira, 23, fechou o dia novamente na cotação máxima, negociado a R$ 5,52, alta de 2,22% na comparação com a última quarta-feira, 22. A moeda americana está em alta há oito pregões consecutivos e, agora, acumula uma valorização de 40,9% em 12 meses, liderando o ranking dos ativos que mais ganharam força entre as opções do mercado nacional.

Se na quarta-feira da semana passada, o colapso dos preços de petróleo foi o culpado para a desvalorização do real (lembrando que a commodity chegou a ter um de seus contratos mais disputados negociado abaixo de zero em Nova York), nesta quinta, o mercado azedou com o noticiário de Brasília.

No começo do dia, analistas e operadores de mesa de câmbio e de ações já diziam que o mercado reagia aquecido à especulação de cortes mais agressivos da taxa de juros por parte do Banco Central (BC) ainda este ano. Uma queda na Selic tende a aumentar o interesse do investidor pela renda variável, da mesma forma que espanta o capital estrangeiro da renda fixa, o que leva a uma alta do dólar. 

No entanto, na parte da tarde, relatos de que o ministro da Justiça, Sergio Moro, poderia pedir demissão, reagindo à possibilidade de troca no comando da Polícia Federal, jogaram lenha na fogueira. O dólar comercial, que é o negociado entre as empresas, saltou rapidamente de R$ 5,46, às 13h30, para R$ 5,52, às 16h. E a Bolsa de Valores chegou a cair 2,56%, reduzindo as perdas na hora seguinte. 

Cenário local

Na opinião do sócio da gestora Novus Capital, Ricardo Kakan, a nova crise política pesa entre os investidores. “Moro é uma figura importante e popular. Na semana passada, foi o caso da demissão do ministro da Saúde, e nesta, essa história envolvendo Moro. Isso atrapalha todo mundo”, afirma.

A economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, concorda com Ricardo Kakan. “A eventual saída de Moro significaria isolamento maior do Bolsonaro, a perda de uma figura muito popular e no momento em que (o presidente) começa a dar sinais de caminhar para o Centrão”, afirma, referindo-se ao bloco de partidos no Congresso composto por MDB e DEM. “A agenda eleitoral está sendo antecipada, como visto no embate entre Bolsonaro e governadores. O que se teme é uma guinada em direção a resultados não fiscalistas, em que se perderão conquistas que já tivemos, como a (reforma) Previdência”, diz.

Para o economista-chefe do Modalmais, Alvaro Bandeira, os investidores estão, neste momento, receosos com os rumos do governo: “Soou mal aos investidores a apresentação na quarta do projeto Pró-Brasil por Braga Neto (ministro da Casa Civil) sem a presença da área econômica e investimentos de R$ 300 bilhões. O projeto foi muito criticado não só por isso, mas por não conter fontes de recursos e ser vazio de conteúdo, numa época ainda inadequada em meio à pandemia.” 

Já na Bolsa, o índice Ibovespa fechou em queda de 1,26%, a 79.673,30 pontos, saindo de 81.933,50 pontos na máxima, no que foi seu maior nível durante a sessão desde 16 de março, quando atingiu 82.564,88. O giro da quinta totalizou R$ 24,7 bilhões e, com o desempenho negativo, os ganhos da semana foram limitados agora a 0,86%. No mês, o Ibovespa sobe 9,11%, mas cede 31,11% no ano.

O Credit Default Swap (CDS) do Brasil, um termômetro do risco país, bateu na tarde de ontem no nível mais alto em 30 dias, com o temor de piora fiscal do País, em meio à recessão e às medidas de aumento de gastos públicos. O contrato de cinco ano foi negociado em 339 pontos, ante 321 do fechamento de quarta-feira, de acordo com cotações da IHS Markit.

Cenário internacional

Nos Estados Unidosos investidores começaram a quinta com notícias positivas. Os pedidos de seguro-desemprego caíram 810 mil na semana passada, enquanto o índice de gerente de compras composto (PMI, na sigla em inglês), caiu 27,4%, resultado que preocupa, mas ainda é melhor que a previsão dos economistas consultados pelo The Wall Street Journal.

No entanto, o cenário voltou a ficar tenso após o Financial Times reproduzir um relatório divulgado por engano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontou um fracasso nos testes conduzidos pela americana Gilead Siences, para comprovar a eficácia do antiviral redmsivir contra o coronavírus. Também afetou o mercado a falta de posicionamento de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), sobre medidas de apoio a economia, em meio à pandemia.

O dia também foi de indicadores na Europa. Lá, o PMI composto da zona do euro despencou à mínima histórica de 13,5 em abril - no Reino Unido, o indicador desabou ainda mais, chegando a 12,9. Na Alemanha, o PMI composto também teve recorde negativo, ao fechar em 17,1, enquanto o índice de confiança do consumidor caiu a 23,4 negativo na leitura de maio. Os resultados, no entanto, ainda foram melhores que os projetados pelos analistas. 

Petróleo

A commodity foi beneficiada pelo aumento da tensão entre Estados Unidos e Irã. Vale lembrar que na última quarta, os americanos prometeram agir, caso os iranianos continuem a ameaçar os navios americanos em alto mar. Um possível conflito entre ambos os países seria benéfico, já que poderia afetar drasticamente a capacidade de produção do petróleo no Oriente Médio e reduzir a quantidade de barris.

Em resposta, o WTI para junho, referência no mercado americano, fechou com alta de 19,73%, a US$ 16,50 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, que é referência no mercado europeu, teve ganho de 4,71%, a US$ 21,33 o barril. No entanto, apesar dos resultados positivos, o WTI segue com queda superior a 30% nesta semana, enquanto o Brent recuou mais de 20%.

Bolsas do exterior

Em meio aos resultados ainda preocupantes do petróleo e com as incertezas nos EUA, as Bolsas de Nova York fecharam sem sentido único nesta quinta. O índice Dow Jones encerrou com alta de 0,17%, a 23.515,26 pontos. Na contramão, o S&P 500 perdeu 0,05%, a 2.797,80 pontos, enquanto o Nasdaq teve baixa marginal de 0,01%, a 8.494,75 pontos.

As Bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em alta. A única exceção foi o mercado chinês, que teve redução de 0,19%. O Japão encabeça os crescimentos, com 1,52% de avanço no índice Nikkei em relação ao fechamento do dia anterior, seguido de Coreia do Sul, com 0,98% no Kospi, e Taiwan, 0,57%. Hong Kong teve desempenho positivo um pouco mais tímido, de 0,35%. A China recuou 0,19%. Na Oceania, o mercado da Austrália, principal da região, fechou de maneira estável, com leve tendência de queda -0,02%. 

As Bolsas da Europa também acompanharam o movimento de alta da Ásia. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou em alta de 1,01% e o FTSE de Londres fechou com ganho de 0,97%. Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX avançou 0,95% enquanto em Paris, o CAC 40 subiu 0,89%. Na Bolsa de Milão, o FTSE MIB registrou alta de 1,47%, em Madri, o Ibexx 35 avançou 0,40% e em Lisboa, o PSI 20 teve ganho de 1,18%./ALTAMIRO SILVA JUNIOR, SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA, LUÍSA LAVAL e MAIARA SANTIAGO.

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