Suamy Beydoun/AGIF - 31/3/2017
Suamy Beydoun/AGIF - 31/3/2017

Dólar atinge R$3,32, a maior cotação do ano

A Bolsa fechou em queda de 1,50%, aos 83.808,05 pontos, elevando as perdas no mês para 3,60%

Simone Cavalcanti e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 22h53

O movimento de aversão ao risco no mercado internacional levou a cotação do dólar a emplacar novo pico em 2018, atingindo o maior nível desde 22 de dezembro. Ao final dos negócios, a moeda foi negociada por R$ 3,3285, em alta de 0,58%.

A divisa já iniciou esta terça-feira, 27, em alta e consolidou a tendência com as tensões nos Estados Unidos, desde o imbróglio do país com a China até a expressiva queda das bolsas de Nova York na última hora de negócios. As incertezas do cenário doméstico acabaram por ficar em segundo plano neste dia de maior estresse no exterior, mas os analistas se mostram atentos à proximidade de definições no cenário político que darão largada para a corrida eleitoral, que pode adicionar ainda mais volatilidade ao mercado. 

No mercado futuro, o dólar para liquidação em abril, cuja negociação se encerra na próxima quinta-feira, subia 0,48% às 17h36, cotado a R$ 3,3275.

Já a Bolsa brasileira foi contaminada pelo mau humor externo e acompanhou de perto o movimento de baixa dos principais pares em Wall Street. O índice à vista largou o patamar dos 84 mil pontos chegando a tocar os 83.542,05 pontos, na mínima. Fechou em queda de 1,50%, aos 83.808,05 pontos, elevando as perdas no mês para 3,60%.

"Fomos atropelados pelas bolsas americanas. Com volume baixo e sem muita notícia, acompanhamos o exterior", disse Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos. 

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Passou ao largo da sessão de negócios o argumento sobre os bons fundamentos e perspectivas positivas para a economia brasileira, mesmo com a confirmação na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de uma nova queda da taxa Selic em maio. Pesou negativamente também, segundo analistas, o aumento das incertezas sobre o cenário eleitoral.

"Há um número cada vez maior de candidatos de centro e o mercado começa a ver um risco de repetirmos a eleição de 1989, quando foram para o segundo turno os dois extremos, agora numa versão com Ciro Gomes (PDT-CE) e Jair Bolsonaro (PSL-RJ)", ressaltou Suzaki.

Lá fora, além da queda generalizada de ações em Nova York propagada inicialmente pelo recuo visto no setor de tecnologia após notícia de que o presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckeberg, pode ter de depor no Comitê Judiciário do Senado no dia 10 de abril, seguem as tensões geopolíticas. Enquanto se amenizam as possibilidades de guerra comercial entre Estados Unidos e China, cresce a preocupação sobre questões diplomáticas entre a Rússia e os países do Ocidente, lembra Suzaki.

Nesse cenário mais recrudescido, os investidores estrangeiros seguem batendo em retirada da Bolsa brasileira. A B3 informou que o saldo do ano, que vinha positivo há quase três meses, virou. Assim, esse volume que somava R$ 10 bilhões no início de fevereiro passou a ser negativo em R$ 152,554 milhões na última sexta-feira, 23. Naquele dia, os não-residentes retiraram R$ 662,034 milhões. O giro financeiro do pregão desta terça-feira seguiu abaixo da média do mês e foi de R$ 9,4 bilhões. "Sem fluxo, fica difícil a Bolsa ganhar tração", comentou um operador. 

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Carlos Soares, analista da Magliano Corretora, ressalta que fundamentos macroeconômicos dão sustentação para a Bolsa no longo prazo, mas que haverá quedas pontuais como a de hoje. "Alguns destaques corporativos do mercado acionário americano caíram muito, pesando lá fora com efeito direto aqui", disse. 

Não foram apenas as ações que puxaram o Ibovespa. Os contratos futuros de petróleo também contribuíram negativamente para o recuo dos papéis da Petrobras de 2,47% (ON) e 2,68% (PN). Vale ON, entretanto, seguiu na contramão da alta de 1,30% da cotação do minério de ferro no porto de Qingdao, na China, e encerrou em queda de 2,71%.

Ainda entre as blue chips, preferidas dos estrangeiros, o setor bancário pesou no índice. Itaú Unibanco PN recuou 1,20%, Bradesco PN caiu 1,21% e Banco do Brasil ON teve 2,48% de desvalorização. As Units do Santander fecharam estáveis (0,00%).

Projeção. Com o dólar sob pressão compradora, profissionais do mercado já admitem um novo intervalo de oscilação da moeda no curto prazo, passando dos R$ 3,20/R$ 3,30 para R$ 3,25/R$ 3,35. Esse patamar ainda é considerado bastante confortável para o Banco Central no atual contexto de inflação em desaceleração e queda de juros, afirmam analistas.

"O range mais provável parece ser R$ 3,25/R$3,35. Temos muitos eventos entre amanhã e a próxima sexta-feira no exterior e o STF na próxima quarta-feira. Dependendo dos resultados dos eventos, o dólar poderá cair aqui para patamar até abaixo deste piso informal do momento", disse José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos.

Para Fernando Bergallo, diretor de câmbio da FB Capital, a proximidade dos eventos políticos internos, como o julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o fim do prazo de desincompatibilização de cargos para concorrência às eleições, podem dar início a um período de maior volatilidade no mercado de câmbio.

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"Atualmente, eu diria que o cenário externo tem peso 2 na composição do câmbio e o cenário interno tem peso 1. Com o início da corrida eleitoral, o cenário doméstico deve se sobrepor, o que significa que provavelmente entraremos em um período de volatilidade, uma vez que esta é uma eleição totalmente indefinida", disse o profissional.

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