Dólar avança 13% no mês e crise ainda afetará novembro

A crise global provocou mais uma disparada do dólar frente ao real em outubro, apesar das intensas atuações dos governos de todo o mundo para abrandar a turbulência financeira. A incerteza sobre se esses vários instrumentos serão suficientes para conter os efeitos --e novos desdobramentos-- da crise será também a tônica de novembro, segundo analistas. A moeda norte-americana acumulou alta de 13,3 por cento no mês. Somente nesta sexta-feira, o dólar avançou 2,56 por cento, para 2,160 reais, impulsionado por operações pontuais perto do fechamento, quando o volume de negócios era baixo. Outubro contou com uma luta constante dos governos globais contra a baixa liquidez e a escassez de linhas de crédito. Bancos centrais se empenharam em uma série de ações, de injeção de capital em instituições financeiras até uma redução coordenada das taxas de juros. No Brasil, o Banco Central retomou as vendas de swap cambial tradicional --realizando-as diariamente há quatro semanas-- e inaugurou um novo tipo de operação obrigando os bancos a repassar recursos para o comércio exterior. "Acho que aquela fase (antes das intervenções globais) foi a mais crítica... Grande parte já está resolvido ou para ser resolvido. Agora, é passar para a segunda fase do problema, que é menos grave, mas não tranquila", avaliou Mario Battistel, gerente de câmbio da corretora Fair. Como segunda fase, Battistel cita as consequências da crise financeira, como redução de produção e desaceleração do crescimento. "Talvez num canto ou outro recessão", acrescentou. Para ele, novembro continuará contando com atuações do BC num empenho para afastar a especulação, "antes de começar a voltar o crédito". Marcos Forgione, analista da Hencorp Commcor, considera que as atuações do BC contribuem para "amenizar a tendência de alta" do dólar, mas ressaltou que ela ainda é de alta. Para o próximo mês, o analista ainda avalia que a volatilidade deve continuar. "As oscilações em novembro devem ser meio parecidas (com as deste mês), acompanhando as notícias lá fora".

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