Shawn Thew/EFE
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Dólar bate em R$ 3,99 e Bolsa volta a cair no Brasil

Temor de que tensão comercial entre China e Estados Unidos leve a uma nova recessão mexe ativos no exterior; cotação da moeda americana chegou ao maior nível desde maio

O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 11h35

Temores de que a tensão comercial entre Estados Unidos e China levem a uma nova recessão impede a alta das Bolsas de Nova York e da brasileira nesta quarta-feira, 8. O Ibovespa iniciou o pregão em queda, abaixo dos 102 mil pontos, reconquistados na véspera (102.163,69 pontos). Não demorou para cair mais, indo aos 100 mil, diante da falta de sinais de um acordo comercial entre as duas potências, afetando principalmente as ações ligadas a commodities.

Em contrapartida, o dólar voltou a ganhar força ante moedas emergentes, enquanto recua em relação a divisas mais fortes, como o iene e o franco suíço. Às 13h19, o dólar à vista subia 0,80%, chegando a R$ 3,9869. No mesmo horário, o Ibovespa tinha perda de 0,53%, caindo para os 101.620,34 pontos. 

O cenário global se somou à aprovação do texto-base da Previdência em segundo turno na Câmara dos Deputados e às vendas do varejo mais fracas do que o esperado no Brasil para também derrubar as taxas dos Dis (taxas que regulam os empréstimos entre bancos e que caminham de braços dados com a Selic), especialmente nos prazos mais longos.

Dólar dispara no Brasil

O dólar registrou máxima em R$ 3,9927 no mercado à vista - a maior cotação desde 31 de maio, quando chegou a R$ 3,9983, paralelamente ao avanço do dólar futuro de setembro até os R$ 4,00 (+0,81%) mais cedo. 

Em Nova York, o índice DXY, que compara a divisa dos EUA a uma cesta de seis divisas fortes, os futuros de ações recuam com temores renovados sobre a economia global.

Bolsa reduz perdas

O Ibovespa conseguiu reduzir suas perdas com a ajuda do setor financeiro e com recuo menos significativo no mercado acionário norte-americano. No começo da tarde, a Unit de Santander Brasil, por exemplo, subia 2,03%, após recomendação das ações. Itaú Unibanco PN (1,38%) e Bradesco PN (0,76%) também passaram a subir.

A queda acima de 5% do petróleo em Nova York e próxima à marca em Londres atingem as ações da Petrobrás: PN caía 2,74% e ON tinha declínio de 1,93% no começo da tarde. Vale ON (-1,65%) também sofre com a retração acima de 4% do minério da China nesta quarta, puxando Bradespar PN (-2,22%). Já RaiaDrogasil ON subia 8,32%, após balanço do segundo trimestre agradar. 

 

 

 

Aversão ao risco e queda nos juros

O movimento de aversão ao risco teve origem em dados conhecidos ainda na madrugada, como o tombo cinco vezes maior do que o esperado para a produção industrial da Alemanha e o corte agressivo de juros por parte de três bancos centrais: Nova Zelândia, Índia e Tailândia. 

A partir disso, a busca por proteção ganhou força e levou a rentabilidade dos títulos do governo alemão ao menor nível da história, assim como aprofundou a inversão da curva de juros norte-americana. 

O presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a cobrar que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) diminua os juros em dimensão "maior e mais rápido", além de parar o aperto quantitativo.

"Enquanto não houver um sinal claro de que Estados Unidos e China vão sentar para conversar, os mercados ficarão nessa instabilidade", afirma o analista Gabriel Machado, da Necton Investimentos. 

Desde a semana passada, quando o governo norte-americano anunciou que elevará tarifas de importação de Pequim, a situação tem causado insegurança entre investidores. Nesta quarta, o Banco do Povo da China voltou a desvalorizar o yuan, medida que já havia sido adotada nesta semana.

Europa tem alívio

Na Europa, os principais índices acionários subiram, sustentados pela percepção de que o Banco Central Europeu (BCE) trará estímulos com a piora econômica global.O fôlego diminuiu ao longo da manhã, mas a expectativa de flexibilização preponderou. Frankfurt subia 0,64%, Londres tinha alta de 0,28% e Paris avançava 0,48% no começo da tarde. / Monique Heemann, Silvana Rocha e Maria Regina Silva

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