Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO
Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO

Petróleo cai mais de 4% ainda sob efeito da restrição de voos anunciada por Trump

O barril do petróleo Brent para maio caía 4,83% na ICE, ao US$ 34,06, enquanto o WTI para abril descia 4,61% na Nymex, a US$ 31,45 o barril

Iander Porcella e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 23h34

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender, por 30 dias, todos os voos da Europa para os EUA - com exceção dos que saírem do Reino Unido - mexeu com os contratos de petróleo, as bolsas asiáticas e o dólar. A medida foi tomada devido ao avanço do surto de coronavírus no continente europeu. De acordo com o presidente, esta não é uma crise financeira, mas "algo temporário" que os EUA vão superar como nação.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo aprofundaram ainda mais as perdas nas horas finais da sessão asiática, ainda sob efeito do anúncio de Trump. “Isso terá um custo econômico devido às conexões empresariais e de turismo entre a Europa e os EUA”, comenta o ING. A AxiCorp diz que investidores fariam bem ao vender suas ações ligadas a petróleo, apontando que, muito provavelmente, companhias aéreas e petrolíferas enfrentarão uma crise de crédito.

Às 2h41 (de Brasília), o barril do petróleo Brent para maio caía 4,83% na ICE, ao US$ 34,06, enquanto o WTI para abril descia 4,61% na Nymex, a US$ 31,45 o barril. Por volta desse horário, a ação da PetroChina perdia 4,03% na Bolsa de Hong Kong. Em Sydney, a aérea Qantas encerrou o pregão com queda de 8,91%.  

Futuros de Nova York

Os índices futuros de Nova York também caíram mais de 4%, aprofundando as perdas verificadas pouco após o pronunciamento do presidente dos EUA. Os rendimentos (yields) dos Treasuries também vivenciam um rali negativo nesta quinta-feira, 12.

No discurso, Trump abordou sua proposta de cortar impostos sobre as folhas de pagamento, mas o ING acredita que tudo o que essas medidas podem fazer agora é “mitigar alguns dos fardos sobre a economia e o sistema financeiro”.

“Novos cortes de juros do Fed são prováveis com o mercado precificando um afrouxamento de 75 pontos-base na quarta-feira, mas é improvável que isso evite que a economia experimente crescimento do PIB e inflação ao consumidor negativos no segundo trimestre”, escreve o banco holandês em nota a clientes. “Com a incerteza a perdurar, continuamos vendo risco de baixa para os yields dos Treasuries”, completa.

Às 3h44 (de Brasília), no mercado futuro, o DOW Jones perdia 4,47%, o S&P 500 recuava 4,20% e o Nasdaq caía 4,20%.

Entre os Treasuries, o yield da T-note de 2 anos caía a 0,41%, o da T-note de 10 anos descia a 0,736% e o do T-bond de 30 anos tinha baixa a 1,241%, na mínima.

Dólar e bolsas asiáticas

A bolsa de Tóquio acelerou a queda após o pronunciamento de Trump. Às 03h03 do horário de Brasília, a bolsa japonesa fechou em baixa de 4,41%, aos 18.559,63 pontos, e entrou em Bear Market. Já a bolsa de Xangai recuou em 1,5%, a 2.923,49 pontos.

O dólar acelerou a queda e bateu mínimas ante o iene. Às 23h19 (de Brasília), o dólar recuava a 103,39 ienes, o euro subia a US$ 1,1320 e a libra cedia a US$ 1,2831. O índice DXY, que mede a variação da moeda americana em relação a seis divisas rivais, caía 0,33%, a 96,190 pontos. / Com Estadão/Broadcast

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