Dólar cai 0,13% em setembro, travado por ações do governo

O dólar teve leve queda ante o real nesta sexta-feira, após passar todo o mês de setembro travado na casa dos 2 reais por ameaças de intervenção do governo. Operadores acreditam que esse cenário deve se manter em outubro.

DANIELLE FONSECA, Reuters

28 de setembro de 2012 | 19h30

A moeda norte-americana caiu 0,17 por cento, a 2,0280 reais na venda. Durante o dia, oscilou entre 2,0262 reais e 2,0360 reais.

Em setembro, o dólar recuou 0,13 por cento ante o real, segundo mês seguido de queda. Apesar disso, ainda encerrou o terceiro trimestre com ganho de 0,91 por cento.

"O mês de outubro em diante será mais favorável para ativos de risco, com a situação da Espanha se encaminhando, o que trará pressão baixista sobre o dólar", disse o estrategista para América Latina do banco BNP Paribas, Diego Donadio.

"Mas o BC atuará de forma agressiva e a moeda não romperá o nível de 2 reais", acrescentou ele.

Nos últimos dias, os mercados voltaram a ficar mais pessimistas com a situação da Espanha, que pode se tornar a próxima vítima da crise da zona do euro.

Madri mantém a indefinição sobre um pedido de resgate oficial que investidores consideram essencial para conter o avanço da crise, apesar de reformas econômicas anunciadas na véspera indicarem que o país está a caminho de pedir ajuda.

Nesta sexta-feira, após um teste de estresse do sistema bancário, o governo espanhol disse que pedirá cerca de 40 bilhões de euros em ajuda da União Europeia para recapitalizar seus bancos.

O humor dos investidores continuou negativo, no entanto, com o peso dos dados de atividade empresarial e de confiança do consumidor dos Estados Unidos, que vieram abaixo das expectativas, aumentando o apetite global pelo dólar.

Às 17h40, o dólar subia 0,52 por cento frente a uma cesta de divisas, enquanto o euro caía 0,54 por cento ante a moeda dos EUA.

MERCADO ENGESSADO

O mercado cambial brasileiro permaneceu engessado durante todo o mês de setembro, com a volatilidade reduzida devido a ameaças de novas intervenções do governo.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, elevou o tom das ameaças depois que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, anunciou no dia 13 de setembro medidas de estímulo monetário que tem o potencial de aumentar os fluxos de dólar para países emergentes como o Brasil.

"O governo está muito presente no mercado. O Mantega já falou em usar de novo o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e, se precisar, acho que o BC vai entrar de forma mais agressiva comprando dólares no mercado", disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Para ele, a moeda norte-americana deve se manter entre 2,0 e 2,03 reais no próximo mês, descolada de outras divisas de países emergentes que também são exportadores de commodities, como o dólar australiano e o neozelandês.

(Reportagem de Danielle Fonseca)

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