Dólar cai 0,39% com balanços dos EUA e alívio na Europa

O dólar encerrou em baixa pela quinta sessão seguida nesta quinta-feira, acompanhando uma melhora no mercado externo. Os investidores se mostraram mais animados com resultados financeiros de empresas norte-americanas, que vieram acima das expectativas, e menos preocupados com a crise na zona do euro.

DANIELLE FONSECA, Reuters

20 de julho de 2012 | 13h38

O dólar fechou em queda de 0,39 por cento, cotado a 2,0138 reais na venda. Nas últimas cinco sessões, a moeda norte-americana recuou cerca de 1,3 por cento em relação ao real.

Segundo profissionais de mercado, a trégua de notícias negativas no cenário externo tem ajudado o dólar a recuar nos últimos dias, mas ainda dentro da banda informal de 2 reais a 2,10 reais estabelecida por intervenções do Banco Central.

"O mercado ainda está preso dentro desse arranjo, entre 2 e 2,10 reais. A moeda ficou muito tempo nos 2,03 reais, depois nos 2,02 reais e, aos poucos, ainda com essa ausência de notícias ruins que estavam vindo do exterior, o dólar está cedendo", disse o operador de câmbio da Renascença Corretora, José Carlos Amado.

A maioria das bolsas internacionais teve uma melhora nos últimos dias e subiu nesta quinta-feira, impulsionadas por resultados corporativos melhores do que o esperado, como o das empresas de tecnologia IBM e eBay.

Na Europa, investidores também parecem um pouco menos preocupados com a situação da Espanha. Nesta quinta-feira, a Câmara dos Deputados da Alemanha aprovou com ampla maioria a contribuição do país para um pacote de ajuda da zona do euro ao setor bancário espanhol.

A aprovação é uma vitória parlamentar da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que conquistou o apoio da oposição e conseguiu a maioria simples da própria coalizão na Câmara.

Caso o quadro internacional continue mais tranquilo, analistas acreditam o dólar pode voltar aos 2 reais. No entanto, investidores devem ficar atentos à possibilidade de atuação do Banco Central com a moeda nesse patamar.

"A moeda pode chegar próximo, mas dúvido que vai furar os 2 reais. Ninguém duvida da força do Banco Central, há esse limite psicológico entre 2 reais e 2,10 reais", afirmou o economista da Link Investimentos, Thiago Carlos.

Quando a divisa chegou a ser negociada abaixo de 2 reais no início de julho, o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, declarou que esse nível poderia ser prejudicial à indústria brasileira. Mendes alertou ainda que o BC poderia atuar comprando dólares no mercado futuro caso fosse necessário.

Já quando a moeda chegou próxima de 2,10 reais, o Banco Central realizou por diversas vezes leilões de swap cambial tradicional --operações que equivalem a uma venda de dólares no mercado futuro--, tornando esse patamar em um teto informal para o dólar.

(Reportagem de Danielle Fonseca)

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