Dólar cai 0,52%, cotado a R$ 2,285, mas sobe 1,06% na semana

Ingresso de recursos da Petrobrás, no valor de US$ 1,5 bilhão, ajudou a determinar a tendência de queda da moeda norte-americana na parte da tarde   

Álvaro Campos , Agência Estado

08 de agosto de 2014 | 17h11

O dólar teve uma sessão bastante volátil ante o real nesta sexta-feira. Enquanto o superávit comercial recorde da China em julho deu força às moedas emergentes, o IPCA fraco aqui e a decepção com a pesquisa Ibope sobre a eleição presidencial acabaram pressionando o real e acionando ordens de stop loss. 

Além disso, renovadas tensões geopolíticas, com um ataque dos EUA a áreas controladas pelos rebeldes no Iraque, favoreceram moedas consideradas mais seguras, como o euro e o franco suíço. No fim, uma grande internalização de recursos, atribuída à Petrobras, pode ter sido fundamental para a queda do dólar.

O dólar à vista no balcão terminou a sessão cotado a R$ 2,285, uma queda de 0,52%. Na semana, porém, o dólar acumulou alta de 1,06%. No mercado futuro, o dólar para setembro registrava desvalorização de 0,58%, a R$ 2,2990. O volume de negociação era de quase US$ 20,44 bilhões.

Após abrir a sessão em queda e subir na sequência, o dólar retomou a baixa ante o real depois do meio-dia. Um ingresso de recursos de cerca de US$ 1,5 bilhão da Petrobras no fim da manhã determinou a recondução da moeda para o lado negativo, afirmou o gerente de câmbio da Correparti, João Paulo de Gracia Corrêa.

No fim da tarde, o alívio com a crise na Ucrânia, após a Rússia retirar soldados da fronteira, animou as bolsas e deu certo fôlego para as moedas emergentes. No horário acima, o dólar perdia 0,99% em relação à lira turca, recuava 0,91% em relação ao rand sul-africano e tinha queda de 0,41% na comparação com a rupia indiana. O índice ICE Dollar, que pesa a moeda norte-americana ante uma cesta de seis principais rivais, recuava 0,16%, aos 81,39 pontos.

Em relatório enviado hoje a clientes, o Barclays informou que continua com uma visão positiva sobre o real e segue considerando a venda de euro como uma opção para financiar as posições na moeda brasileira, apesar de ter encerrado oficialmente a recomendação de ficar vendido em euro/real. 

"No atual ambiente de mercado, nós preferimos expressar nossa opinião sobre o real por meio de uma operação com base no valor relativo, ou seja, ficar comprado em real contra uma moeda como a lira turca, que seria mais sensível a riscos geopolíticos e uma redução da liquidez em função de dados mais fortes nos EUA", diz o texto. 

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