Dólar cai 0,85% e volta a patamar da crise cambial de 1999

Expectativa de novo grau de investimento para o Brasil anima mercado e leva moeda a fechar em R$ 1,641

Silvio Cascione, da Reuters,

16 de maio de 2008 | 16h50

A entrada de recursos no País e a expectativa de que mais uma agência considere o Brasil como grau de investimento devolveram o dólar nesta sexta-feira para o menor nível desde a crise cambial de 1999.  Veja também: Na elite do mercado mundial A moeda norte-americana caiu 0,85%, para R$ 1,641. É o fechamento mais baixo desde 20 de janeiro de 1999, quando o dólar disparava dias após o fim das bandas cambiais e a adoção da livre flutuação da moeda.  O principal motivo para a queda nesta sexta-feira foi o ingresso de divisas no país. "O fluxo de entrada está forte nas duas pontas", disse Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora, em referência às operações comerciais e financeiras.  Segundo ele, a entrada de recursos foi espalhada em vários negócios. Durante a manhã, um operador de outra corretora, que preferiu não ser identificado, estimou que uma empresa sozinha foi responsável pelo ingresso de cerca de US$ 300 milhões.  Milton Mota, operador da SLW Corretora, disse que há fôlego para uma queda adicional do dólar nos próximos dias. "Tem exportador com entradas até boas, mas eles estão esperando" para ver se o dólar se recupera, disse.  O otimismo do mercado com a possibilidade de que o Brasil receba o grau de investimento pela agência de classificação de risco Fitch ajudou na baixa. A queda do dólar diante de outras moedas no exterior também foi apontada como razão para a alta do real - o peso mexicano, por exemplo, fechou no maior nível em quase cinco anos diante do dólar.  A razão mais comentada para uma possível recuperação do dólar é a presença mais firme do governo no mercado, com o objetivo de compor o fundo soberano nacional.  Até o momento, porém, as compras têm se limitado aos rotineiros leilões do Banco Central para composição das reservas - e essas operações sequer têm enxugado toda a oferta, estimam agentes de mercado.  No início de 1999, o BC se viu forçado a permitir a livre flutuação do câmbio após meses de crise internacional, que causaram a fuga de bilhões de dólares do Brasil. Em janeiro daquele ano, a moratória temporária da dívida de Minas Gerais tornou insustentável a âncora cambial.  Entre 12 de janeiro e 29 de janeiro de 1999, o dólar saltou de R$ 1,21 para R$ 2,07.

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