Dólar cai 1,4% em dia de poucos negócios e fecha a R$ 1,757

Mercado de câmbio no Brasil seguiu o movimento visto no exterior de queda da moeda norte-americana

Taís Fuoco, da Agência Estado,

23 de dezembro de 2009 | 17h22

A falta de liquidez na antevéspera do Natal fez com que um único negócio de uma grande empresa levasse a dólar a repetidas mínimas no período da tarde, fazendo com que a moeda americana perdesse mais de 1% de seu valor ante o real. Como explicaram os operadores, em dias de poucos negócios como os desta semana, qualquer entrada pode alterar de forma significativa o rumo da divisa. No mercado à vista, o pronto da BM&F recuou 1,52%, para R$ 1,7559, enquanto no balcão a moeda fechou em R$ 1,7570, queda de 1,40%. O giro das operações com liquidação em dois dias (D+2), que por conta do feriado de 25 de dezembro serão liquidadas na próxima segunda-feira, era de US$ 1,4 bilhão às 16h35.

 

De qualquer forma, o mercado doméstico de câmbio repetiu o desempenho da moeda americana no exterior, cuja queda foi aprofundada depois do dado decepcionante nas vendas de imóveis novos nos Estados Unidos. Aqui, porém, a queda foi mais acentuada. Depois de cair para o menor nível em três meses e meio ontem, o euro subia hoje 0,71% às 16h35, para US$ 1,4349. Em relação à divisa japonesa, o dólar quase atingiu o pico de dois meses ontem, mas hoje perdia 0,16%, a 91,54 ienes no mesmo horário.

 

"A falta de liquidez explica em grande parte a queda, as pessoas já estão em ritmo de Natal", afirmou a economista Marianna Costa, do Link Investimentos. Segundo ela, mesmo os dados divulgados nos Estados Unidos tiveram pouco efeito sobre o mercado local, onde boa parte dos operadores já havia abandonado as mesas no período da tarde. No mercado internacional, o otimismo que vinha dominando os investidores sobre a recuperação da economia norte-americana foi abalado pelos dados de vendas de imóveis novos informados hoje. A comercialização de novas residências caiu 11,3% em novembro ante outubro, enquanto os economistas consultados pela Dow Jones esperavam recuo de 1,2%.

 

A renda pessoal dos norte-americanos, por sua vez, cresceu 0,4% em novembro na comparação com outubro, o maior aumento desde o de 1,5% registrado em maio, enquanto os gastos com consumo aumentaram 0,5%, índices também abaixo das expectativas. Analistas esperavam, em média, aumento de 0,5% da renda e de 0,6% dos gastos. E o índice de sentimento do consumidor dos EUA, medido pela Reuters e Universidade de Michigan, subiu de 67,4 em novembro para 72,5 ao final de dezembro, ficando abaixo da previsão dos analistas, que era de alta para 73,5. O índice preliminar de dezembro havia ficado em 73,4.

 

No mercado local, o Banco Central informou hoje que o fluxo cambial em dezembro continua positivo e registrou ingresso líquido de US$ 1,565 bilhão nos 18 primeiros dias do mês. Segundo dados do BC, o saldo desse período tem resultado oposto ao observado em igual período de dezembro de 2008, quando o Brasil havia perdido US$ 4,396 bilhões. Segundo o BC, o resultado preliminar de dezembro de 2009 foi gerado pelo movimento observado na conta do comércio exterior, que contribuiu positivamente com US$ 1,780 bilhão no período. O valor é resultado de exportações de US$ 9,461 bilhões e importações de US$ 7,681 bilhões.

 

Na conta financeira, o saldo do período foi negativo em US$ 214 milhões porque as saídas somaram US$ 22,256 bilhões e superaram os ingressos de recursos para a compra de ações, títulos de renda fixa e investimentos produtivos que atingiram US$ 22,042 bilhões. No acumulado do ano até o dia 18 de dezembro, o fluxo cambial registra ingresso líquido de US$ 28,311 bilhões. Em igual período de 2008, o saldo era de apenas US$ 994 milhões.

 

As compras diárias de dólares realizadas pelo Banco Central aumentaram as reservas internacionais em US$ 2,677 bilhões no mês de dezembro, conforme levantamento preliminar até o dia 18. Segundo o BC, as compras acumuladas da terceira semana de dezembro, entre os dias 14 e 18, somaram US$ 735 milhões. Desde a retomada das intervenções da autoridade monetária no mercado cambial em maio, o BC já retirou US$ 26,669 bilhões no mercado cambial à vista. Hoje, a autoridade monetária realizou leilão até as 12h27 e fixou a taxa de corte em R$ 1,7779.

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