Dólar cai 1,44% e segue para maior queda mensal em 8 anos

O dólar voltou a cair forte ante o real nesta sexta-feira, caminhando para a maior queda mensal em mais de oito anos, com a menor cautela com a crise de dívida na Europa abrindo espaço para um maior fluxo de recursos ao país.

JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

28 de outubro de 2011 | 17h58

A moeda norte-americana recuou 1,44 por cento, para 1,6844 real na venda. Faltando apenas uma sessão para o fechamento do mês, a divisa norte-americana já soma desvalorização de 10,48 por cento em outubro.

Se confirmado esse ritmo, será o maior tombo mensal desde abril de 2003, quando a moeda desabou 13,20 por cento, poucos meses após a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República.

A baixa da taxa de câmbio compensa, em parte, a disparada de 18 por cento na cotação verificada no mês passado, em meio à escalada das preocupações com a crise de dívida na Europa.

Foi a primeira vez desde 9 de setembro, quando fechou a 1,6772 real na venda, que o dólar ficou abaixo de 1,70 real. No acumulado da semana, a taxa de câmbio recuou 5,40 por cento.

De acordo com profissionais consultados pela Reuters, o acordo entre líderes europeus para combater a crise de dívida da região, acertado na véspera, trouxe de volta, ao menos por ora, a tranquilidade aos mercados, o que favorece o retorno dos investimentos a países com fundamentos sólidos e elevados rendimentos, como o Brasil.

"A Europa tirou a aversão ao risco e agora os fundamentos da economia brasileira se tornam mais importantes", afirmou o economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

Na véspera, os mercados financeiros globais tiveram um dia de euforia, depois que autoridades europeias chegaram a um acordo envolvendo a participação de credores privados na ajuda à Grécia e o reforço no fundo de resgate da região, que pode chegar a 1 trilhão de euros.

O acordo amenizou temores quanto a um contágio da crise de dívida da Europa e a seus efeitos sobre a economia global.

JURO AINDA ELEVADO

Para o analista econômico da Win Trade José Goés, os agentes tendem a olhar com mais atenção a taxa básica de juros brasileira que, mesmo em queda, ainda é uma das maiores do mundo.

A Selic está atualmente em 11,50 por cento ao ano, e investidores apostam em mais duas quedas de 0,5 ponto percentual até o início de 2012. A taxa remunera, entre outros, os títulos públicos, acaba atraindo mais investidores estrangeiros e, dessa forma, mais dólares para o país. Com fluxo intenso, a tendência é de queda da moeda norte-americana.

Santos, do Espirito Santo Investment Bank, acredita que o nível de 1,70 real deve se mostrar um patamar de suporte para o dólar.

"Apenas com o tempo, se vierem notícias consistentes da Europa, o dólar pode ir a 1,65 (real). Mas 1,60 (real) é um nível em que o Banco Central já mostrou que pretende fazer atuações (para frear a queda)", disse.

O BC realizou pela manhã um leilão de swap cambial tradicional, no qual rolou cerca de metade dos 30 mil contratos (1,5 bilhão de dólares) ofertados, mas sem grandes impactos no comportamento da moeda nessa sessão. Foi o quarto leilão feito pela autoridade monetária desde que voltou a atuar com essa ferramenta, no fim de setembro.

(Reportagem adicional de Jeb Blount)

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