Dólar cai 1,68%, maior queda diária desde maio de 2012

Moeda americana fechou o dia cotada a R$ 2,229; embora tenha começado o pregão em alta, tendência reverteu-se com dados da China e dos EUA

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

15 de julho de 2013 | 17h22

Os números divulgados na China e nos Estados Unidos abriram espaço nesta segunda-feira, 15, para queda consistente do dólar ante o real, de 1,68%. A moeda americana fechou o dia cotada a R$ 2,229.

Esse recuo foi bem mais forte que o verificado ante outras divisas de países ligados a commodities. Também foi a maior baixa porcentual do dólar ante o real desde 25 de maio do ano passado, quando caiu 1,87%.

Embora a moeda americana tenha começado o dia em alta no Brasil, em sintonia com o exterior, passou para o território negativo após o fraco resultado das vendas do varejo norte-americano em junho. Já o Produto Interno Bruto (PIB) chinês, dentro do esperado, fez vários investidores desarmarem posições de hedge (proteção) assumidas na última sexta-feira, quando o crescimento do país asiático foi colocado em dúvida.

Na máxima de hoje, vista às 9h20, o dólar marcou R$ 2,2730 (+0,26%) no balcão e, na mínima, às 15h52, atingiu R$ 2,2250 (-1,85%). Da máxima para a mínima, a moeda oscilou -2,11%. Perto das 16h30 (horário de Brasília), a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro bastante baixo, de apenas US$ 815,9 milhões, sendo US$ 760 milhões em D+2. No mercado futuro, o dólar para agosto era cotado a R$ 2,2325, em baixa de 1,95%.

Na última sexta-feira, as incertezas com a economia chinesa, ampliadas por comentários do ministro de Finanças do país, Lou Jiwei, fizeram o dólar subir 0,40% ante o real no mercado à vista e a moeda para agosto avançar 0,53% no mercado futuro. Profissionais disseram ao Broadcast que os investidores buscaram hedge no mercado futuro, antes da divulgação do PIB da China.

Na noite de ontem, o governo chinês informou que o PIB cresceu 7,5% no segundo trimestre do ano, em linha com o esperado, o que trouxe alívio para os mercados de vários países emergentes. No Brasil, o dólar abriu o dia em alta, mas rapidamente passou a registrar perdas, influenciado ainda pelos dados do varejo norte-americano. Em junho, o varejo do país vendeu 0,4% mais do que em maio, mas analistas esperavam elevação de 0,8%. Essa aparente fraqueza resgatou a percepção de que o programa de estímulos à economia dos EUA pode continuar no futuro próximo.

Chamou a atenção, porém, o fato de o recuo do dólar no Brasil ter sido bem mais intenso. "Houve desmonte de hedge feito na semana passada, quando os investidores esperavam os dados da China. Como eles vieram dentro do esperado, o pessoal se ajustou a isso", comentou profissional da mesa de câmbio de um grande banco. "Também apareceu bastante entrada de moeda com o dólar caindo, com o pessoal fechando exportação", acrescentou outro profissional.

Desde maio do ano passado o dólar não caía tanto em apenas uma sessão - e desta vez o Banco Central não precisou intervir. O gerente de câmbio da Correparti Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa, cita ainda as medidas mais recentes da autoridade monetária no sentido de facilitar a entrada de moeda estrangeira no País. "É preciso começar a prestar atenção na medida (da última quinta-feira), porque ela pode não ter sido tão imediata, os bancos podem começar a trazer moeda para cá", comentou, em referência à maior facilidade para instituições financeiras trazerem dólares de suas matrizes no exterior.

À tarde, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgou um déficit comercial de US$ 619 milhões na segunda semana de julho. O resultado, apesar de ruim, não fez preço no mercado de câmbio.

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