Dólar cai 3,36% após intervenção do BC

No primeiro dia da nova estratégia do BC, cotação da moeda dos EUA fecha a R$ 2,356, a maior queda diária em mais de um ano

FABRÍCIO DE CASTRO, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2013 | 02h04

Após o Banco Central anunciar intervenções sistemáticas no câmbio até o fim do ano, o dólar à vista negociado no balcão recuou 8 centavos de real ontem e voltou para baixo dos R$ 2,40. O movimento esteve em sintonia com o mercado futuro, onde especuladores desarmaram posições compradas (de aposta na alta da moeda americana), já que o BC fará leilões regulares de swap.

Os dados decepcionantes divulgados nos EUA pela manhã contribuíram para ampliar essa baixa do dólar ante o real. No fim, o dólar à vista fechou cotado a R$ 2,356, em baixa de 3,36%. Esta é a maior queda em um único dia em mais de um ano, desde 29 de junho de 2012, quando caiu 3,50%.

A nova estratégia do BC, aliás, começou ontem. Pela manhã, a instituição ofereceu US$ 1 bilhão no leilão de linha - cujo resultado não é divulgado. Na próxima segunda-feira, começam a ser oferecidos os swaps, sempre em montantes de 10 mil contratos (US$ 500 milhões). Até o fim do ano, cerca de US$ 60 bilhões serão oferecidos em leilões, de forma a garantir a liquidez tanto no mercado à vista quanto no futuro.

Profissionais ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, disseram que foi natural que o dólar, em meio a esta artilharia do Banco Central, recuasse. Ao oferecer mais moeda, o BC busca acalmar os investidores e reduzir a volatilidade. Mas isso não significa que a moeda americana vai, necessariamente, se acomodar na faixa entre R$ 2,30 e R$ 2,40.

Emergentes. As medidas anunciadas pelo Banco Central para apoiar o real deram apoio para uma variedade de outras moedas de países emergentes ontem, no fim de uma semana turbulenta de perdas desencadeadas pela perspectiva de mais aperto da política monetária dos Estados Unidos.

Os analistas disseram que o movimento do Brasil estava também ajudando as moedas de mercados emergentes, como a lira da Turquia, a ganharem força. "A intervenção no Brasil foi um sinal positivo para todos os mercados emergentes. Ela sinalizou aos investidores que os bancos centrais estão lá reagindo mais e estão mais agressivos. Eles estão prontos para acelerar a intervenção deles para estabilizar os mercados", afirmou o estrategista de mercados emergentes do Citigroup Luis Costa.

Os países na linha de fogo e que estavam sob pressão significativa no início desta semana eram Indonésia, Turquia e Índia. Desde o fim de maio, as rupias da Indonésia e da Índia recuaram 15% ante o dólar. A lira atingiu níveis recorde de baixa. Mas, depois de registraram quedas fortes nesta semana, as moedas se recuperaram ontem./COLABOROU DOW JONES NEWSWIRES.

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