Dólar cai 3,50% com otimismo vindo da UE e atuações do BC

Cenário:

CRISTINA CANAS , O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h08

Algumas das expectativas que o mercado vinha criando há meses foram atendidas ao término do primeiro semestre, o que foi uma surpresa positiva para os investidores e provocou uma onda de otimismo pelos mercados, ontem. No que tange à crise externa, quando todos esperavam mais um fiasco de outra cúpula de líderes europeus, houve o anúncio de que será criado um órgão supervisor do sistema financeiro comum aos países da região e os fundos de resgate do bloco poderão injetar dinheiro diretamente nos bancos, além de um plano de investimentos para estimular o crescimento. Por mais que as medidas ainda precisem de aprovação unânime dos governo da zona do euro, a interpretação de que os acordos são um sinal de mudança na postura da Alemanha fez os investidores ignorarem esse detalhe.

Por aqui, após o governo passar 2011 e os primeiros três meses de 2012 lutando contra a queda contínua do dólar, os efeitos da piora externa nos fluxos de recursos para o País parecem ter surpreendido e, nos últimos tempos, a preocupação do BC passou a ser a alta acentuada na moeda norte-americana. A equipe econômica já removeu duas das medidas criadas para impedir a valorização excessiva do real e, além disso, em três pregões consecutivos, o BC despejou US$ 9 bilhões no mercado.

O resultado dessas intervenções e da alteração brusca observada ontem no ambiente internacional foi a queda de 3,50% do dólar à vista no balcão, para R$ 2,0100. Ainda assim, a moeda dos Estados Unidos acumula valorização de 7,54% no ano.

A Bovespa, por sua vez, subiu 3,23% ontem e fechou na máxima de 54.354,63 pontos, acompanhando o otimismo emanado pela Europa. Mas o mercado acionário apanhou bastante nos últimos meses. No primeiro semestre deste ano, a perda ficou em 4,23%, mas no trimestre encerrado ontem o Ibovespa despencou 15,74%. A trégua externa desta sexta-feira ajudou algumas ações a reduzirem as quedas acumuladas. É o caso de Petrobrás e Vale. A ação ON da petroleira subiu 3,28% e a PN ganhou 3,11%. Já o papel ON da mineradora ganhou 2,32% e o PNA, +2,17%.

O mercado de juros, por sua vez, chegou na metade do ano considerando que a Selic recuará até 7,50% no fim de 2012. As taxas de prazos mais curtos ficaram perto da estabilidade, uma vez que, na visão dos investidores, a estratégia de relaxamento monetário atual só mudará de curso caso ocorra algo, no curtíssimo prazo, que reverta totalmente as expectativas de fraqueza econômica atual.

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