Dólar cai 3,6% em abril e aposta é de mais baixa em maio

Depois de o dólar acumular a maior queda em sete meses em abril em meio à abundante liquidez no mercado externo, profissionais do mercado acreditam que a moeda norte-americana seguirá em baixa em maio, apesar das atuações do Banco Central.

JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

29 de abril de 2011 | 17h20

Nesta sexta-feira, o dólar recuou 0,63 por cento, a 1,573 real na venda, fechando abril com depreciação de 3,56 por cento, a maior desde setembro de 2010, quando a baixa foi de 3,7 por cento.

Marcos Trabbold, operador de câmbio da B&T Corretora de câmbio, atribuiu o movimento desta sessão ao cenário externo mais tranquilo, com dólar em baixa e bolsas de valores em alta.

"Com essa combinação, seria difícil o dólar não cair. Hoje está tendo a formação da última Ptax do mês, o que geralmente distorce um pouco o movimento, e como tem muita gente vendida (em dólar) a queda aqui está um pouco mais forte que lá fora", disse.

De acordo com dados da BM&FBovespa relativos à véspera, os investidores estrangeiros sustentavam mais de 19 bilhões de dólares em posição vendida nos mercados de dólar futuro e cupom cambial (DDI). Na prática, tais posições sugerem apostas na queda do dólar no curto prazo.

O mercado costuma intensificar ajustes de posições com a aproximação do final do mês, visando uma Ptax mais conveniente a suas operações. A Ptax --taxa média ponderada do dólar-- serve de referência para a liquidação de contratos futuros e outros derivativos.

No exterior, a moeda recuava 0,13 por cento ante uma cesta de divisas, nas mínimas em três anos. A debilidade da moeda se intensificou nesta semana, depois que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, sugeriu que manterá os atuais estímulos para sustentar a recuperação econômica do país.

De acordo com Jason Vieira, analista internacional da corretora Cruzeiro do Sul, enquanto a política de juro baixo nos Estados Unidos continuar em vigor e não houver sinalização de alguma mudança, a moeda norte-americana continuará pressionada em todo o mundo, o que refletirá também em âmbito doméstico.

"Essa é uma realidade indelével", resumiu Jason Vieira, analista internacional da corretora Cruzeiro do Sul. "A diferença de juros (entre Brasil e EUA) é muito alta e isso vai continua atraindo capital e respaldando a tendência de queda do dólar no curto prazo."

No Brasil, o dólar aproximou-se nesta semana dos menores níveis desde janeiro de 1999, pouco após a adoção do regime cambial flutuante.

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