Dólar cai 3,86% no mês, para R$ 2,0450, após forte ação do BC

Cenário:

SILVANA ROCHA, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2012 | 02h06

Com a vigilância redobrada do governo e do Banco Central sobre o mercado de câmbio em dezembro, o dólar à vista encerrou a última sessão de 2012 abaixo de R$ 2,05. A moeda no balcão terminou, ontem, com leve alta de 0,05%, cotada a R$ 2,0450, em meio a preocupações com o impasse nas negociações para evitar o abismo fiscal nos Estados Unidos. No entanto, a taxa Ptax diária, a última de 2012 e que fechou no começo da tarde, caiu 0,23%, para R$ 2,0435 - pressionada pelo fluxo cambial positivo pela manhã e interesses relacionados às rolagens de contratos futuros. No mês, o dólar à vista acumulou queda de 3,86% no balcão. Isso após o BC fazer 11 leilões de linha e quatro ofertas de swap cambial (venda no mercado futuro), além de flexibilizar restrições ao ingresso de recursos no país. O arsenal de instrumentos cambiais foi necessário para combater o fluxo negativo mensal (comercial e financeiro), que somou US$ 7,067 bilhões até o dia 21, além da pressão derivada do exterior em razão da falta de um acordo sobre a questão fiscal norte-americana. Em 2012, o dólar à vista se valorizou 9,42% ante o real. Segundo a consultoria Economática, com o fechamento da Ptax de venda hoje em R$ 2,0435, a valorização acumulada no ano por essa taxa, de 8,94%, representa o terceiro maior ganho anual desde 2003 - início do primeiro mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Em 2008, a Ptax de venda contabilizou a maior valorização anual, com +31,94%. Já em 2011, a valorização anual acumulada foi de 12,58%. Nos dois anos do governo Dilma, a moeda norte-americana acumula valorização de 22,64%, ainda de acordo com a consultoria.

Na Bovespa, os investidores foram às compras ontem e ajudaram o principal índice doméstico a encerrar o ano no azul, na contramão do exterior. O Ibovespa encerrou com valorização de 0,89%, aos 60.952,08 pontos. No mês, o ganho ficou em 6,05% e, no ano, em 7,40%. O desempenho de dezembro foi o segundo melhor ganho mensal do ano, perdendo apenas para janeiro, quando a Bolsa subiu mais de 11%.

Na renda fixa, os juros futuros tiveram leve queda ontem, pela terceira sessão seguida. Os motivos foram o baixo volume de negócios e a falta de um acordo fiscal nos EUA. No Brasil, as contas do governo, abaixo do esperado, e o dólar comportado impediram que as taxas futuras se distanciassem muito dos ajustes da véspera. "As operações de fechamento de ano dos fundos de investimento se destacaram", disse um operador.

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