Dólar cai a R$ 1,70 com otimismo após plano europeu e EUA

Cenário:

SILVANA ROCHA , O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h07

O dólar à vista fechou ontem com queda de 3,24%, a R$ 1,704 no balcão - menor valor desde 9 de setembro, quando terminou em R$ 1,6810. O tombo seguiu as perdas da divisa norte-americana no âmbito internacional, após o acordo europeu para sanar a crise fiscal estimular o apetite dos investidores por aplicações de risco. As medidas aprovadas ainda devem ser detalhadas. Porém, a definição preliminar das linhas gerais do pacote depois de várias semanas de impasse nas negociações trouxe alívio imediato aos investidores. Também foi bem recebido o crescimento de 2,5% da economia dos Estados Unidos no terceiro trimestre, porque o dado afasta os temores de recessão no país. Como os agentes financeiros por aqui vinham carregando posições compradas em dólar para proteção, diante das dificuldades de um acordo europeu, ontem eles aproveitaram as decisões para fazer ajustes, provocando o tombo da moeda norte-americana e aumento dos negócios. A desvalorização acumulada pelo dólar no balcão aumentou para 9,36% em outubro. No ano, a alta do dólar diminuiu para 2,40%. No mercado futuro, o dólar para novembro de 2011 cedeu 2,81%, a R$ 1,7110, com um giro financeiro 63% superior ao de quarta-feira, de US$ 27,997 bilhões.

O acordo fechado pelos líderes europeus prevê redução de 50% do valor da dívida da Grécia, com a ajuda dos credores privados, aumento do poder de fogo do fundo de resgate europeu em até 1,3 trilhão de euros e reforço da base de capital dos bancos da região, estimado em 106 bilhões de euros. Uma grande onda de otimismo se espalhou mundo afora mesmo faltando conhecer detalhes do plano: como será fortalecido o fundo de resgate e a participação de cada país.

As bolsas dispararam, favorecidas também pelo crescimento do PIB americano no terceiro trimestre. A Bolsa brasileira voltou a se aproximar dos 60 mil pontos, o que não acontecia há três meses. O Ibovespa subiu 3,72%, aos 59.270,13 pontos, maior nível desde 26 de julho. A boa notícia é que essa alta nas ações veio acompanhada de volume financeiro forte, de R$ 10,1 bilhões.

Como a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) apenas reforçou a ideia de que o ajuste da taxa básica de juros, a Selic, deve prosseguir nas próximas reuniões, sem esclarecer a durabilidade deste ciclo, o mercado de juros futuros se voltou para os desdobramentos do plano europeu para minimizar a crise na região e as taxa futuras subiram na BM&F.

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