Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Apesar de cair a R$ 3,73, dólar acumula alta de 2,3% em duas semanas

No mercado de ações, o Ibovespa interrompeu sequência de baixas e fechou perto da estabilidade

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2018 | 18h51

O dólar subiu pela segunda semana consecutiva, terminando a sexta-feira, 9, em R$ 3,7385. A moeda caiu 0,25%, influenciada pela entrada de um fluxo do exterior, e acabou se descolando de seus pares emergentes. A maioria das moedas destes mercados perdeu valor perante o dólar nesta sexta-feira. Apesar da queda desta sexta, os investidores seguem monitorando a transição de governo e uma das explicações da alta da moeda de 1,10% no acumulado da semana são os ruídos de comunicação entre Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe.

Especialistas em câmbio ressaltam que, na ausência de notícias concretas sobre nomes da equipe, como o da presidência do Banco Central, e da agenda de política econômica de Bolsonaro, ou alguma mudança no cenário externo, o dólar deve continuar oscilando no patamar de R$ 3,70/R$ 3,75. Além disso, a expectativa é que a liquidez deve seguir fraca nas próximas semanas, que serão marcadas por quatro feriados. Na segunda-feira,12, é feriado nos Estados Unidos, e na quinta,15, no Brasil. A sessão desta sexta-feira já foi marcada por volume um pouco mais fraco, com US$ 15 bilhões no mercado futuro e US$ 1,5 bilhão no segmento à vista.

Na avaliação de Jefferson Laatus, sócio fundador do Grupo Laatus, cresceram no mercado nos últimos dias as preocupações sobre os desentendimentos entre a equipe de Bolsonaro. Outro temor é que o presidente eleito queira passar "qualquer reforma da Previdência", disse ele. "O mercado está em compasso de espera para ver como vão ser os desdobramentos." Neste ambiente, estrangeiros estão embolsando lucros com ganhos recentes na bolsa e retirando o recurso do país, ajudando a pressionar o dólar. Para o especialista em câmbio, neste momento, não há fatores tanto para levar o dólar para um nível acima do patamar atual como para baixo. 

Mesmo com os recentes ruídos de comunicação de Bolsonaro, os dois maiores bancos privados do Brasil, Bradesco e Itaú, reduziram hoje as previsões para o dólar no País este ano, com os dois citando a perspectiva positiva de avanços das reformas. As duas instituições, porém, alertam para a necessidade das medidas saírem do papel. 

O Itaú, com time liderado pelo ex-diretor do Banco Central, Mario Mesquita, cortou de R$ 3,90 a estimativa para o câmbio no final do ano para R$ 3,75. Para 2019, o banco manteve a previsão da moeda americana em R$ 3,90. Já o Bradesco reduziu a previsão para o dólar no final deste e do próximo ano. Para 2018, cortou de R$ 3,90 para R$ 3,70 e a do ano que vem de R$ 3,80 para R$ 3,70. Será o avanço das reformas um dos principais determinantes dos preços no mercado de câmbio, destaca o banco em relatório, que tem equipe liderada pelo economista-chefe Fernando Honorato Barbosa.

Mercado de ações

Uma virada na última hora de negociação evitou que o Índice Bovespa registrasse hoje sua  quarta queda consecutiva. Depois de ter caído até 1,86%, o índice fechou praticamente estável, aos 85.638,88 pontos (+0,02%). O indicador ensaiou uma recuperação pela manhã e chegou a subir 0,72%. No entanto, não teve fôlego para se sustentar em um dia de quedas generalizadas entre as bolsas internacionais. Lá fora, temores sobre os rumos da economia global incentivaram ordens de venda, enquanto no cenário doméstico o noticiário político foi escasso. 

As ações relacionadas a commodities exerceram influência negativa ao longo de todo o dia. A queda dos preços do petróleo penalizou os papéis da Petrobras (-0,39% na ON) e a alta do minério de ferro não foi suficiente para conter os preços das mineradoras pelo mundo, que refletiram as incertezas quanto ao ritmo da economia chinesa. Em Londres, as ações das mineradoras BHP Billiton e Anglo América tiveram fortes perdas, o que levou Vale ON a terminar o dia com queda de 4,16%.

A queda só foi neutralizada nos minutos finais de negociação, com a melhora brusca do desempenho dos papéis do setor financeiro, bloco de maior peso na composição do Ibovespa. As ações já vinham oscilando com desempenho acima da média, mas ganharam fôlego extra com a notícia de que o presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, negou que venha a ocorrer modificação no marco legal econômico, financeiro e fiscal no país, descartando  mudanças na operação dos bancos. Por aqui, Banco do Brasil ON subiu 2,22%, Itaú Unibanco PN ganhou 1,26% e as units do Santander avançaram 1,91%. 

"Com a onda de realizações de lucro no mercado internacional, o Ibovespa acabou por perder um pouco a referência. Na falta de notícias mais concretas sobre a reforma da Previdência, acompanhou o que ocorreu lá fora", disse Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos. 

Para ele, a discussão em torno da política monetária dos Estados Unidos leva o investidor estrangeiro a amenizar suas posições de risco, mas a perspectiva de longo prazo é de alta para os mercados emergentes. No caso específico do Brasil, afirma, a tendência é de retomada do viés de alta assim que o cenário doméstico apontar mais concretamente para boas perspectivas. 

Com o resultado desta sexta-feira, o índice contabilizou queda nominal de 3,14% na semana.

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