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Dólar cai a R$ 3,77 nesta sexta, mas fecha segunda semana de alta

No mercado de ações, o Ibovespa subiu 0,16% no dia, mas encerrou a semana com perda acumulada de 0,61%

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 18h20

O real e a Bolsa brasileira tiveram um dia de valorização, mas fecharam a semana com perdas. Nesta sexta-feira, 26, o bom humor no cenário internacional, definido ainda pela manhã com a primeira leitura do PIB norte-americano do segundo trimestre, contribuiu para um desempenho favorável do mercado local.

Dois leilões de linha do Banco Central e as captações corporativas sustentaram a moeda americana em baixa. O dólar à vista fechou a sexta-feira em R$ 3,7725, em queda de 0,25%. A moeda subiu 0,71% na semana, a segunda consecutiva de alta. Mas no mês, o dólar recua 1,77% e no ano, 2,55%.

Nas ações, a recuperação de boa parte dos papéis do setor financeiro, que tombaram na quinta-feira, se contrapôs às fortes perdas dos papéis da Petrobrás, assegurando ganho moderado para o Ibovespa ao longo da sessão, sem, no entanto, conseguir recuperar os 103 mil pontos. O Ibovespa fechou em alta de 0,16%, aos 102.818,93 pontos, com queda de 0,61% acumulada na semana. Em julho, o índice contabiliza alta de 1,83%.

PIB americano

Dados do segundo trimestre mostraram avanço de 2,1% do PIB americano, acima do 1,9% esperado por Wall Street, o que ajudou a fortalecer o dólar no mercado internacional, sobretudo ao ajudar a reduzir as apostas de corte mais intenso de juros pelo Fed, de 0,50 ponto.

Para os estrategistas do Rabobank, desde que a tensão comercial entre a China e os Estados Unidos não aumente nas próximas semanas, o corte de juros pelo Fed pode estimular a busca por ativos de risco e a ida de investidores para emergentes no curto prazo, em busca de retorno. Com isso, as moedas de emergentes devem se fortalecer.

Balanços

A divulgação dos balanços das empresas também devem ser a tônica da próxima semana. Concentrarão as atenções os resultados de bancos, commodities e empresas de varejo. Entre essas, estão previstas para a próxima semana os resultados de Itaú Unibanco (no dia 29), Lojas Renner (dia 30), Vale (31) e Petrobrás (1.º).

"Uma recuperação mais forte dos bancos, à exceção de Bradesco, foi que favoreceu a alta da Bolsa hoje, uma vez que Petrobrás teve fortes perdas após o guidance da empresa apontar queda na produção. Não chegou a ser uma queda expressiva, mas é um fator que poderia melhorar o grau de alavancagem operacional da companhia", disse Glauco Legat, analista da Necton Corretora.

Em seu relatório de produção, a Petrobrás cortou em 3,6% sua perspectiva de produção neste ano de 2,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) para 2,7 milhões de boed, com variação de 2,5% para mais ou para menos. Ao final dos negócios, Petrobrás ON e PN caíram 3,12% e 2,79%, nesta ordem.

Leilão do BC

Contribuiu para a baixa do dólar um leilão de recursos do Banco Central e operadores ressaltam que também houve ingresso de capital externo, além de um movimento de realização de lucros após as altas recentes, que levaram a moeda americana a bater nos negócios de quinta-feira em R$ 3,80. 

"Hoje houve um pouco de realização de lucros, após as altas dos últimos dias", destaca o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem. "O leilão do BC também deu tranquilidade ao mercado", completa. O Banco Central ofertou US$ 1 bilhão em linha (venda de dólar à vista com compromisso de recompra).

Federal Reserve

Passada a semana relativamente calma no noticiário doméstico e internacional, e com baixa liquidez no mercado, a expectativa é que as mesas de operação fiquem mais agitadas na semana que vem. O evento mais esperado é a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que começa na terça-feira,30, e termina no dia seguinte e pode ter o primeiro corte de juros nos Estados Unidos em anos.

Os estrategistas do banco JPMorgan esperam corte de 0,25 ponto porcentual nos juros americanos, em reunião que pode ser marcada por ao menos um voto dissidente. O Fed deve reconhecer ainda que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) americano mostrou perda de fôlego, ressalta o JP.

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