Dólar cai a R$1,55; mercado olha EUA e intervenção local

A incerteza sobre a dívida soberana e o crescimento econômico dos Estados Unidos derrubou o dólar em todo o mundo nesta sexta-feira, devolvendo a moeda ao patamar de 1,55 real após dois dias de alta.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

29 de julho de 2011 | 17h17

O dólar à vista fechou a 1,5510 real para venda, em baixa de 1,15 por cento. No mês, o dólar teve queda de 0,70 por cento. No ano, a moeda tem baixa de 6,90 por cento.

Nos últimos dois dias, o dólar havia registrado alta de quase 2 por cento com a adoção de um imposto sobre operações com derivativos de câmbio. A moeda era cotada antes nos menores níveis desde 1999, e o governo tinha a intenção de frear a valorização do real para proteger as exportações.

Mas os fatores internacionais voltaram a pesar nesta sexta-feira. O dólar caía 0,5 por cento em relação a uma cesta com as principais divisas, sofrendo com a indefinição a respeito da dívida dos Estados Unidos. Se o Congresso daquele país não chegar a um acordo até 2 de agosto para elevar o teto da dívida, o país pode ser forçado a dar um calote.

A notícia de que os Estados Unidos crescem a um ritmo mais lento do que o previsto também abalou o dólar.

Dados da consultoria norte-americana EPFR mostraram que fundos de mercado aberto, repletos de títulos do Tesouro norte-americano, perderam 37,02 bilhões de dólares nesta semana, em favor principalmente de fundos alemães e de mercados emergentes, como o Brasil.

"O mercado é escasso de comprador. Não tem ninguém querendo comprar dólar, só o Banco Central", disse José Carlos Amado, operador de câmbio da corretora Renascença.

A autoridade monetária realizou dois leilões de compra de dólar no mercado à vista nesta sexta-feira, repetindo a atuação dos últimos dois dias.

AGOSTO

Em agosto, a tendência do dólar depende basicamente do resultado das negociações no Congresso dos Estados Unidos. Mesmo que um calote seja evitado, as agências de classificação de risco ameaçam reduzir a nota da dívida norte-americana, o que poderia adicionar pressão à queda da divisa.

No Brasil, contudo, permanece a ameaça da atuação do governo. Após impor a taxa sobre operações com derivativos, as autoridades --sob a iniciativa do Conselho Monetário Nacional (CMN)-- podem aumentar a alíquota do imposto ou exigir depósitos de margem adicionais.

"Em outubro de 2010, o governo elevou o imposto sobre investimentos estrangeiros em renda fixa duas vezes", escreveram analistas do BNP Parobas, em relatório.

A taxa Ptax, usada para a liquidação de contratos futuros e derivativos em vencimento, fechou a 1,5563 real para venda, em baixa de 0,56 por cento.

Foi a primeira rolagem de contratos futuros e derivativos sob o novo cálculo da Ptax. A taxa agora é calculada mais cedo e não leva em conta todas as operações do mercado, o que desestimulou tentativas de manipulação.

Tudo o que sabemos sobre:
DOLARFECHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.