Dólar cai ante o real e outras moedas emergentes

Valorização do real acompanhou a recuperação de perdas recentes de moedas de alguns países emergentes

Silvana Rocha, da Agência Estado

21 de janeiro de 2009 | 18h48

O dólar caiu ante o real nesta quarta-feira, 21, em meio a um fluxo cambial aparentemente equilibrado, a venda pelo Banco Central de cerca de US$ 300 milhões no mercado à vista e um movimento de alguns players com o objetivo de enfraquecer a taxa ptax do dia, disseram operadores de câmbio de bancos e corretoras consultados pela AE. A valorização do real também acompanhou a recuperação de perdas recentes de moedas de alguns países emergentes, como o Chile e o México.  Veja também:Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  No fechamento à vista, o dólar caiu 0,80%, para R$ 2,352 no balcão, e 0,82%, a R$ 2,3515 na BM&F. O giro financeiro total aumentou 43%, para cerca de US$ 2,331 bilhões (US$ 2,194 bilhões em D+2). Tesourarias de bancos que teriam sido titulares de um fluxo financeiro positivo, segundo um profissional, operaram na venda no mercado futuro com vistas à queda do pronto e da taxa ptax. No mercado futuro, os investidores ampliaram o leque de vencimentos negociados hoje para 13, todos projetaram cotações mais baixas. Às 16h44, o último negócio com o dólar fevereiro/09 foi à cotação de R$ 2,356, baixa de 1,17%, informou um operador de um banco local. Este vencimento concentrou até às 16h19 um giro de US$ 7,10 bilhões do total movimentado de US$ 7,41 bilhões. Quanto à decisão do Copom, hoje, sobre o corte da taxa Selic, os players de câmbio consultados consideram a possibilidade de alguma reação amanhã apenas se o tamanho da redução for diferente da expectativa de 0,75 pp e 1 pp, precificada pela curva de juros futuros. "A diminuição de 1 ponto porcentual foi bem precificada hoje à tarde e a decisão só tende a assustar se vier acima disso, como 1,50 ponto", avaliou um operador de tesouraria de uma instituição estrangeira. Contudo, para um operador de uma corretora em São Paulo, o mercado promoverá correções amanhã se houver surpresa "negativa" com eventual corte de 0,50 ponto ou "positiva" com queda de 1 ponto. De todo modo, analisou, o placar da decisão e o comunicado do Copom também devem pesar em eventual ajuste do mercado nesta quinta-feira, uma vez que poderão guiar as projeções das instituições financeiras sobre a extensão e intensidade do ciclo de flexibilização total neste ano. Em Nova York, alguns analistas ouvidos pela correspondente da AE Nalu Fernandes indicaram que o ciclo de flexibilização da Selic deve começar hoje e que a taxa básica já estará próxima de 10,50% ao ano até o fim do primeiro semestre, ante os atuais 13,75% anuais. As apostas desses profissionais para o movimento inicial do Copom hoje estão divididas entre redução de 0,50 ponto porcentual e 0,75 ponto porcentual. O diretor do RBC Capital Markets para mercados emergentes, Nick Chamie, prevê uma flexibilização total de 3,25 pontos porcentuais da Selic neste ano, com redução ainda no primeiro semestre. O diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para mercados emergentes, Paulo Leme, prevê 70% de chance de a Selic estar em 10,75% em setembro e 30% de probabilidade de a taxa bater 10,25% no mesmo período. Essas avaliações baseiam-se na rápida deterioração em andamento desde outubro das condições econômicas no Brasil, com piora na criação de postos formais de trabalho, contração do número de vagas que vem ocorrendo desde novembro de 2008 e reversão nos fluxos de capitais para o País, além da recessão em alguns países desenvolvidos. No mercado à vista, O BC voltou a realizar dois leilões. Fez a terceira tranche de rolagem do vencimento de US$ 10,2 bilhões em swaps cambiais em 2/2/2009 e vendeu 37.230 contratos (de uma oferta de até 50.000 contratos), equivalentes a US$ 1,849 bilhão. Até agora, foram renovados US$ 6,824 bilhões do vencimento total de 2/2/09, equivalentes a 67%. O BC está fazendo neste momento outra pesquisa de demanda para a continuidade dessa rolagem. O resultado será divulgado a partir das 18h30. No leilão de venda à vista a taxa de corte ficou em R$ 2,3516. No exterior, a moeda norte-americana também caiu em relação a algumas divisas de países emergentes, como os pesos mexicano e chileno que recuperaram parte de perdas recentes, mas subiu ante o euro e a libra esterlina. O dólar caiu no fechamento para 623,20 pesos chilenos, de 626,30 pesos chilenos ontem. Às 17h09, a moeda norte-americana recuava a 13,8870 pesos mexicanos, de 13,9875 pesos mexicanos. Em relação às moedas europeias, a libra esterlina caiu nesta quarta-feira para o nível mais baixo ante o dólar desde setembro de 1985, em meio às vendas de moedas de maior risco. A libra tem sofrido intensa pressão de venda desde segunda-feira diante da descrença dos analistas em relação ao pacote de socorro a bancos anunciado pelo governo do Reino Unido. A libra caiu abaixo do menor nível dos últimos 23 anos hoje, para US$ 1,3618, de acordo com a Comstock. O aumento dos pedidos de auxílio-desemprego no Reino Unido pelo 11º mês seguido em dezembro de 2008 e expectativas de que esses pedidos deverão aumentar ainda mais, de acordo com economistas, pesaram contra a libra. O presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, afirmou em um discurso na noite de terça-feira que o banco central britânico está se preparando para aumentar a oferta monetária ampla para garantir que o crescimento não desacelere a ponto de a inflação cair fortemente abaixo da meta de 2,0%. Às 17h16, o euro operava a US$ 1,2876, ante US$ 1,2900 no fim da terça-feira, enquanto o dólar estava a 88,55 ienes, de 89,71 ienes na véspera. A libra operava a US$ 1,37325, de US$ 1,3932.

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