Dólar cai ante real, com pouca volatilidade

O dólar fechou em leve baixa frente ao real nesta quinta-feira, acompanhando o movimento do mercado internacional de câmbio, mas ainda exibindo pouca volatilidade antes de uma definição sobre a capitalização da Petrobras.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

26 de agosto de 2010 | 18h13

A moeda norte-americana caiu 0,23 por cento, para 1,762 real.

Enquanto o mercado local fechava, o dólar caía 0,5 por cento ante uma cesta com as principais moedas, como o euro, que superava 1,27 dólar.

O resultado melhor que o esperado dos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos permitiu que investidores interrompessem a busca por ativos considerados mais seguros, abrindo espaço para a valorização de outras moedas em detrimento do dólar, do iene e do franco suíço.

Ainda assim, as variações foram tímidas por conta da expectativa antes de um discurso do chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, em evento de bancos centrais na sexta-feira.

No Brasil, o mercado quer saber se a capitalização da Petrobras ocorrerá como o planejado, em setembro, e se o governo vai permitir que os bilhões de dólares da operação cheguem ao mercado sem uma intervenção direta.

"A volatilidade aqui está muito baixa", disse o economista de uma corretora em São Paulo, que preferiu não ser citado.

Para analistas do banco HSBC, a eventual vitória da candidata Dilma Rousseff (PT) em primeiro turno na eleição presidencial, como indicam pesquisas, poderia ajudar a dar um rumo ao câmbio justamente por dissipar incertezas sobre a capitalização da Petrobras.

"Uma vitória no primeiro turno é positiva para o real (e favorece a queda do dólar)", afirmaram os analistas da equipe de estratégia de câmbio em mercados emergentes.

Guilherme Loureiro, analista do Barclays, avalia que há menos ruído político, mas pondera que as próximas semanas podem ser um pouco mais movimentadas.

"Nós vemos um mercado dividido: há uma visão de que o dólar deve subir por conta do déficit em transações correntes e de uma crescente preocupação com a economia global; do outro lado, existe uma grande posição vendida, baseada na expectativa de forte ingresso por causa da capitalização da Petrobras."

"O dólar deve se fortalecer no curto prazo (a 1,85 real), caindo depois para 1,80 real mais perto do fim do ano."

Mas Win Thin, estrategista de câmbio da Brown Brothers Harriman, discorda sobre a perspectiva de dólar mais alto. "O mercado parece disposto a vender dólares quando sobe um pouco, como na semana passada. Os juros altos devem manter o real bastante atraente para os estrangeiros. Portanto, no momento, vamos ficar nessa faixa de 1,75 a 1,80 real", afirmou.

Tudo o que sabemos sobre:
DOLARFECHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.