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Dólar cai ante real na sessão, mas tem maior alta mensal em 3 anos

O dólar caiu ante o real nesta terça-feira em um movimento de realização de lucro, mas fechou setembro com a maior alta mensal em três anos. Analistas acreditam que, se as chances de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) continuarem crescendo, essa escalada não deve dar trégua.

REUTERS

30 de setembro de 2014 | 17h58

A moeda norte-americana caiu 0,31 por cento nesta sessão, a 2,4480 reais na venda mas, no mês, acumulou alta de 9,33 por cento. É a maior valorização mensal desde setembro de 2011, quando o avanço foi de 18,15 por cento. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro desta sessão ficou em torno de 1,2 bilhão de dólares.

"Conforme a probabilidade de a Dilma ganhar as eleições aumenta, o dólar vai subindo, e não dá para dizer onde isso vai parar", afirmou o diretor de gestão de recursos da corretora Ativa, Arnaldo Curvello.

A forte pressão cambial em setembro fez com que o real devolvesse todas os ganhos acumulados desde o início do ano e se alinhasse a outras moedas emergentes, que têm se desvalorizado por preocupações sobre o futuro da política monetária dos Estados Unidos.

"Nós vamos ver um cenário muito parecido com 2002: até Dilma provar que vai adotar uma política econômica mais favorável aos mercados, o mercado vai pressionar", acrescentou Curvello, referindo-se à escalada do dólar à época do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Dilma é criticada por investidores por adotar uma política excessivamente intervencionista que, segundo eles, levou o país à recessão sem conseguir controlar a inflação.

Na véspera, duas pesquisas eleitorais mostrando a presidente à frente da ex-senadora Marina Silva (PSB) em um esperado segundo turno das eleições elevaram o dólar ao maior nível desde 2008, ápice da crise financeira global. Isso abriu espaço para que, nesta sessão, a moeda norte-americana exibisse um movimento de realização de lucros.

"O mercado está dando um respiro, mas se o cenário eleitoral não mudar, o dólar não cai muito mais do que isso", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.

As próximas pesquisas eleitorais do Datafolha e do Ibope, que são mais acompanhadas pelo mercado, podem ser divulgadas já a partir desta terça-feira.

INTERVENÇÕES

A perspectiva de alta sustentada do dólar é um desafio para o Banco Central brasileiro. Muitos investidores acreditam que o BC quer evitar pressões inflacionárias provocadas pelo aumento dos preços de importados e, por isso, deve continuar atuando fortemente no mercado de câmbio.

Além da oferta diária de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, a expectativa é de que a autoridade monetária role integralmente o lote de contratos que vencem em 3 de novembro e correspondem a 8,84 bilhões de dólares. Nas últimas semanas, o BC rolou praticamente todo o lote que vence na próxima segunda-feira.

A possibilidade de intervenções mais pesadas do que essas divide investidores. Apesar de já ter feito no passado leilões extraordinários de swaps e leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, alguns acreditam que essas armas não serão utilizadas pelo BC no curto prazo.

"Em parte, a alta do dólar é um movimento global e o BC já indicou que só atua mais forte se for para coibir excessos", disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues. "Além disso, a volatilidade em época de eleições é inevitável".

Todas as principais moedas latino-americanas se desvalorizaram contra o dólar neste mês, mas o real foi destaque. O peso chileno , por exemplo, perdeu cerca de 2 por cento em setembro, embora acumule queda de mais de 12 por cento desde o início do ano.

O principal fator que sustenta esse avanço global do dólar é a perspectiva de os juros subirem nos EUA de forma mais intensa, o que poderia atrair à maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em economias emergentes.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 4 mil swaps pelas atuações diárias, com volume correspondente a 197,3 milhões de dólares. Foram vendidos 2 mil contratos para 1º de junho e 2 mil para 1º de setembro de 2015.

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