Dólar cai com medidas do BC mas segue alto

O Banco Central anunciou uma série de medidas para conter as altas do dólar, e as cotações realmente caíram, embora o comercial para venda continue alto, a R$ 3,82. O problema é que o minipacote pode elevar os juros e derrubar a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que depois do anúncio já deixou de seguir as altas nas bolsas internacionais, passando a uma leve queda. A próxima semana será agitada no mercado de câmbio. A autoridade monetária definiu elevação do depósito compulsório para depósitos à vista, a prazo e poupança em cinco pontos porcentuais, ou seja, aumentou a parcela de recursos dos clientes que os bancos devem manter imobilizados. Além disso, o limite máximo de operação com câmbio das instituições financeiras caiu de 60% para 30% do seu capital líquido, e para cada aplicação cambial, deve haver uma reserva em reais agora de 100% (de 70%). As medidas entram em vigor no dia 16, véspera do maior vencimento de contratos e títulos cambiais do ano. O governo espera conter as altas do dólar. O BC espera que, nos próximos dias, as instituições financeiras, especialmente os bancos de investimento médios, reduzam suas aplicações em câmbio, e a desova alivie as cotações. Mas o enxugamento de reais em circulação podem ter efeito recessivo, ainda que ligeiro, elevando juros e derrubando a Bolsa. O BC também realizou um leilão de rolagem parcial de contratos cambiais, vendendo mais US$ 500 milhões dos vencimentos do dia 17 para 1º de novembro. Com isso, foram adiantados cerca de 31% do total, faltando ainda US$ 2,9 bilhões, mas o acúmulo de vencimentos nesse final de ano com o encurtamento de contratos continua. Logo no dia 23, também vence mais US$ 1,1 bilhão em cambiais. Também estima-se que o total de obrigações privadas neste mês some US$ 2 bilhões. Assim, a próxima semana será tensa, com bancos vendendo dólares para adequar-se às novas medidas e especuladores tentando, dentro dos novos limites, elevar a cotação da moeda norte-americana para ganhar mais na marcação dos papéis que vencem na quinta-feira. MercadosO dólar comercial foi vendido a R$ 3,8200 nos últimos negócios do dia, em baixa de 4,26% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 3,7500 e R$ 3,9800. Com o resultado de hoje, o dólar acumula uma alta de 64,94% no ano e 23,03% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 21,600% ao ano, frente a 21,000% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 26,250% ao ano, frente a 26,450% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,14% em 8854 pontos e volume de negócios de R$ 378 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 34,79% em 2002 e 13,04% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 12 apresentaram quedas. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 4,20% (a 7850,3 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - subiu 4,05% (a 1210,47 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9876; uma alta de 0,20%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em alta de 1,07% (419,12 pontos). O dólar oficial para venda fechou em $ 3,73 pesos.Veja mais tarde o resumo dos principais eventos da semana nos mercados financeiros e as perspectivas para a próxima semana. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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