JF DIorio/Estadão
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Carolina Bartunek: ESG, o que eu tenho a ver com isso?

Após três quedas seguidas, dólar volta a subir e vai a R$ 3,89

Pesaram sobre os negócios o adiamento da votação do crédito suplementar pedido pelo governo e as especulações sobre uma possível flexibilização do teto de gastos após a aprovação da reforma da Previdência

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2019 | 10h37
Atualizado 05 de junho de 2019 | 18h19

O dólar voltou a subir nesta quarta-feira, 5, após cair nos três últimos pregões. A alta da moeda americana no exterior e questões internas fizeram a divisa encostar nos R$ 3,90 perto do fechamento.

Notícias de que o governo discute a possibilidade de flexibilizar o teto de gastos após a aprovação da reforma da Previdência fizeram o dólar acelerar a alta. Com isso, o real foi a segunda moeda que mais perdeu valor perante a moeda americana, atrás apenas do rand da África do Sul. O ministério da Economia, porém, desmentiu as notícias após o fechamento do mercado à vista. Na sessão, o dólar à vista encerrou com valorização de 0,99%, a R$ 3,8949.

No mercado de ações, a palavra "cautela" voltou às mesas de negociação depois que a a Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso adiou para a próxima terça-feira a votação do crédito suplementar pedido pelo governo. O Ibovespa terminou o dia em queda de 1,42%, aos 95.998,75 pontos. Os negócios somaram R$ 12,4 bilhões.

Embora as bolsas de Nova York tenham subido, as commodities metálicas e energéticas tiveram uma sessão de perdas, com reflexo direto sobre as ações da Petrobrás, Vale e siderúrgicas. As ações do setor financeiro, bloco de maior peso na composição do Ibovespa, também tiveram perdas expressivas. Ao final dos negócios, Petrobrás ON e PN registraram quedas de 1,41% e 1,30%. Vale caiu 1,47%.

A quarta-feira foi marcada por fortalecimento do dólar no exterior, em meio a renovados temores de piora da economia mundial após nova rodada de indicadores fracos, que fizeram as cotações do petróleo despencarem. A diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou que a previsão da instituição de "fragilidade e precariedade" da retomada econômica se confirmou.

No mercado internacional, o dólar interrompeu uma sequência de quedas, turbinadas pela visão de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve cortar juros e se fortaleceu ante divisas fortes, como o euro e a libra, e emergentes, ganhando força entre pares do real, como México, Argentina e Colômbia. As atenções agora se focam na divulgação na sexta-feira do relatório de emprego de maio dos Estados Unidos. Se vier abaixo do esperado, como veio o relatório do setor privado (ADP, na sigla em inglês), divulgado nesta quarta, pode aumentar a aposta de corte de juros. Os analistas do banco canadense TD Bank preveem 190 mil postos de trabalho. 

Pela manhã, o dólar chegou a cair a R$ 3,83, mas a notícia do adiamento da sessão da Comissão Mista de Orçamento (CMO) que decidiria sobre o crédito extra de R$ 248,9 bilhões para que o governo possa cumprir a regra de ouro do Orçamento provocou um movimento de compra de dólares. Na parte da tarde, as mesas monitoraram o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre privatizações, se vão precisar de autorização prévia do Congresso.

Para Jefferson Laatus, especialista em dólar, sócio fundador do Grupo Laatus, após as recentes quedas, era natural que o dólar passasse por um movimento de ajuste técnico, catalisado pela política e pela alta da moeda no exterior. Mas apesar do movimento desta quarta, Laatus acredita que a tendência não mudou e a moeda pode voltar a cair, testando níveis perto de R$ 3,80, sobretudo se o Congresso seguir avançando na pauta de medidas do Planalto e não houver choques no exterior.

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