Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Dólar cai 1% e fecha na menor cotação em mais de seis meses

Moeda recuou para R$ 3,69, diante dos desdobramentos da Operação Lava Jato, dos leilões do Banco Central e do recuo da divisa no mercado externo

Fabricio de Castro, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2016 | 10h18
Atualizado 09 de março de 2016 | 18h50

SÃO PAULO - Os desdobramentos da Operação Lava Jato, os leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) realizados pelo Banco Central e o recuo da moeda americana no exterior determinaram a queda firme do dólar ante o real nesta quarta-feira, 9. A moeda americana à vista cedeu 1,04%, aos R$ 3,6991, o menor valor em mais de seis meses, desde 1º de setembro de 2015. Por trás do movimento, seguiu a percepção de que o impeachment da presidente Dilma Rousseff tem grande chance de avançar.

A maior cotação para o dia foi vista logo na abertura, às 9h02 (R$ 3,7492, +0,30%). Mas em menos de 10 minutos de negociação o dólar já havia migrado para o território negativo, em sintonia com o exterior, onde o avanço do petróleo colocava a moeda americana em queda ante várias divisas de exportadores. As notícias mais recentes da Operação Lava Jato também continuavam a influenciar o apetite vendedor dos players. Profissionais ouvidos pelo Broadcast pontuavam que, desde a semana passada, quando vazou a delação do senador Delcídio Amaral e o ex-presidente Lula foi conduzido coercitivamente para depor, a situação do governo Dilma Rousseff não melhorou. 

Para completar, os leilões de linha de até US$ 2 bilhões, programados para a tarde de hoje, também eram apontados como motivo para o dólar continuar caindo ante o real. 

No início da tarde, o dólar amplificou um pouco as perdas e chegou a ser cotado abaixo dos R$ 3,70, algo que havia sido visto na sexta-feira, quando Lula foi conduzido para depoimento pela Polícia Federal. Na mínima de hoje, às 12h31, o dólar à vista marcou R$ 3,6861 (-1,39%). Da máxima vista logo cedo para esta mínima, a moeda americana oscilou -1,68%, o que sugere forte volatilidade. Depois, a divisa se recuperou um pouco, mas voltou para abaixo de R$ 3,70 antes do fechamento. 

No início da tarde, os dados do fluxo cambial divulgados pelo BC não chegaram a influenciar de forma duradoura as cotações. Mas chamou a atenção o fato de, em fevereiro, o País ter registrado saída líquida de 9,294 bilhões, sendo US$ 11,231 bilhões pela via financeira, enquanto a comercial acusou entradas de US$ 1,936 bilhão. Foi a maior saída mensal desde dezembro de 2014 e a maior para meses de fevereiro desde o início da série histórica. Em março, até o dia 4, o fluxo total está positivo em US$ 994 milhões (+US$ 1,715 bilhão pelo financeiro e -US$ 721 milhões pelo comercial). No acumulado do ano, até dia 4, o fluxo está negativo em US$ 6,825 bilhões.

Bolsa. A Bovespa fechou em queda pelo segundo dia consecutivo. Na avaliação de analistas e operadores, o recuo do Ibovespa acontece por que investidores entendem que chegou a hora de embolsar lucros depois da sequência de seis fechamentos em alt. A maior pressão baixista veio da Vale e de grandes bancos, que empurraram o Ibovespa para os 48.665,09 pontos em uma queda de 0,89%. 

Nesse rali, encerrado na segunda-feira, 7, o Ibovespa valorizou-se 18,4%. "A Bolsa teve uma alta bastante forte. Quem aproveitou pôde colocar o lucro no bolso em um dia de noticiário político mais fraco e agenda econômica sem grande novidade, visto que o IPCA (de fevereiro) veio ruim (+0,90%), ainda que abaixo das projeções", afirmou o analista da Elite Corretora, Hersz Ferman. 

Entre esses oportunistas, muitos são de fora do Brasil, como mostra o ranking das corretoras no movimento intraday. A maioria das casas na ponta vendedora era estrangeira. Na ponta compradora, a maioria era brasileira. 

Ferman defende que não é possível dizer que o segundo fechamento em queda da Bovespa reflete a saída do estrangeiro. "Ainda é cedo para dizer isso", diz o operador. "O giro continua bastante alto", diz o analista da Elite. 

De fato, a Bovespa totalizou um giro financeiro maior que a média diária dos últimos meses. O volume chegou a R$ 9,94 bilhões. Na média diária de fevereiro e de março do ano passado, o giro ficava em torno dos R$ 6 bilhões. 

Apesar de ter fechado em queda de 4,53% e de 3,32%, as PNs do Bradesco e do Itaú Unibanco, respectivamente, sustentam ainda uma alta de 17,71% e de 21,53% no mês. O mesmo pode ser dito da ON e da PNA da Vale. A ação ordinária da mineradora encerrou em queda de 3,53%, mantendo-se em alta de 22,78% no mês. A preferencial caiu 3,20% hoje e sustentou uma valorização de 27,10% no mês. Além de refletir uma realização de lucros, a desvalorização da mineradora hoje é influenciada pelo recuo no preço do minério de ferro (-5,8%) e pela renovação de temores sobre a economia chinesa.

Impedindo uma queda maior do Ibovespa, a PN da Petrobrás encerrou o dia em alta, seguindo o movimento dos contratos futuros de petróleo, que fecharam em alta. A PN subiu 1,74%. Já a ON encerrou o pregão em queda de 0,93%. Na ICE, em Londres, o petróleo Brent para maio fechou em alta de 3,58% aos US$ 41,07 por barril. Na Nymex, em Nova York, o petróleo WTI para abril fechou em alta de 4,90% a US$ 38,29 por barril.

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