Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Dólar cai e fecha a R$ 3,37 com alívio sobre ajuste fiscal

Na visão de analistas, permanência de Renan no Senado contribui para a aprovação de medidas; Bolsa teve dia de venda de ações para a realização de lucros e fechou em queda de 1,20%

Lucas Hirata, Denise Abarca, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2016 | 17h24

O dólar à vista fechou em baixa pela quarta sessão consecutiva, direcionado pela expectativa de que as medidas de ajuste fiscal tramitarão no Congresso com mais tranquilidade, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter Renan Calheiros na presidência do Senado. 

A moeda encerrou em baixa de 0,68%, aos R$ 3,3798, somando perda de 2,65% em quatro sessões. Ao longo do dia a divisa variou entre a máxima de R$ 3,4173 (+0,43%) e a mínima de R$ 3,3717 (-0,91%), com movimentação mais intensa pela manhã. De acordo com dados registrados na clearing da BM&FBovespa, o volume de negócios somou US$ 1,376 bilhão. 

Cabe ressaltar que, mais cedo, o mercado como um todo também enfrentou a volatilidade trazida pela decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), o que afastou investidores de moedas de economias emergentes. A instituição estendeu seu programa de relaxamento quantitativo (QE) até fim de 2017. Originalmente, o programa venceria em março. Porém, a partir de abril, as compras mensais serão de 60 bilhões de euros, e não 80 bilhões de euros como vinha sendo feito.

Mercado de ações. A Bolsa partiu para uma realização de lucros na etapa vespertina, após ter fechado em alta nas duas sessões anteriores e também durante a manhã. Não houve nada específico no noticiário a ter provocado a virada para o negativo no começo da tarde, mas, como salientou um operador, "notícia ruim tem para escolher".

No fechamento, o Ibovespa tinha 60.676,56 pontos, queda de 1,20%, não muito distante da mínima de 60.499 pontos (-1,49%). Na máxima, chegou perto dos 62 mil pontos, aos 61.936 pontos (+0,85%). O volume foi novamente fraco, somando R$ 6,509 bilhões. Em dezembro, a Bovespa continua no negativo, com perdas de 1,99%. Em 2016, há ganho acumulado de 39,97%.

Após os investidores terem antecipado, na véspera, a permanência de Renan Calheiros (PMDB-AL) à frente da presidência do Senado e, consequentemente, a manutenção do cronograma de votação da PEC do Teto dos Gastos, hoje as preocupações com a fraqueza da atividade em meio à Selic ainda elevada pesaram sobre o mercado. Desse modo, a Bovespa foi na contramão da alta de suas pares no exterior, que repercutiram a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de estender seu programa de recompra de bônus até o final do ano que vem.

No caso de Petrobrás, as ações até tentaram por alguns momentos da tarde acompanhar o avanço dos preços do petróleo, mas falou mais alto a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), de proibir a empresa de vender ativos por tempo indeterminado. Petrobrás ON ainda conseguiu fechar em alta, de 0,22%, e a PN caiu 1,01%. O petróleo com vencimento em janeiro encerrou com alta de 2,14%, a US$ 50,84, o barril do tipo WTI na Nymex.

As ações da Vale e de siderurgia devolveram parte da disparada recente e fecharam em baixa. Vale ON cedeu 2,90% e a PNA, -3,99%. CSN ON caiu 3,16%. A etapa inicial, no entanto, havia sido de ganhos para os papéis, respaldados por dados positivos do comércio exterior da China.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.