Carlos Severo/Fotos Públicas
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Dólar cai e fecha abaixo da cotação de R$ 4

Nova equipe econômica ainda traz desconforto ao mercado, mas o baixo volume de negócios e o comportamento da moeda no exterior prevaleceram e determinaram a queda de 0,62%

Ana Luísa Westphalen e Karla Spotorno, O Estado de S. Paulo

22 Dezembro 2015 | 17h55

Texto atualizado às 18h35

SÃO PAULO - Depois de ultrapassar os R$ 4,00 em reação à nomeação de Nelson Barbosa para o comando do Ministério da Fazenda na segunda-feira, hoje foi dia de o dólar passar por uma acomodação, embora o desconforto em relação à nova equipe econômica continue a permear os negócios. A moeda norte-americana permaneceu em trajetória de queda por toda a sessão, em uma terça-feira tranquila e com oscilações limitadas pela liquidez mais modesta. 

No momento em que a cotação esteve na máxima, no início da tarde, a divisa chegou momentaneamente à estabilidade, refletindo a formação da taxa Ptax, mas o movimento não se sustentou. Além do ajuste técnico, a baixa vista hoje é fortalecida pelo comportamento do dólar no exterior, já que a moeda norte-americana perde fôlego em relação às principais divisas ligadas às commodities.

O dólar terminou o dia negociado a R$ 3,9914, em baixa de 0,62%, corrigindo parte da valorização de 1,39% de ontem, quando foi aos R$ 4,0163. Na cotação máxima do dia, a moeda alcançou R$ 4,0161 (estável), logo após o fechamento da Ptax. Já na mínima, a divisa marcou R$ 3,9725 (-1,09%), por volta das 11 horas.

Apesar do pregão mais calmo nesta terça-feira, o descontentamento do mercado em relação ao novo ministro da Fazenda persiste. Barbosa, por sua vez, continua tentando convencer os investidores de que seguirá o caminho já trilhado por seu antecessor, Joaquim Levy, e que manterá os esforços para aprovar o ajuste das contas públicas no Congresso. Ele concedeu entrevista coletiva nesta tarde para jornalistas estrangeiros, transmitida por teleconferência.

Barbosa também voltou a negar que existam estudos para a adoção de uma banda para o resultado primário, hipótese já aventada pelo governo e que foi muito mal recebida pelo mercado em outras oportunidades. O ministro aproveitou a ocasião para reiterar o compromisso de alcançar a meta de superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. Ele se comprometeu ainda a adotar outras medidas para compensar a falta de recursos caso a CPMF não seja aprovada pelo Congresso. 

Bolsa. Em um dia de baixo giro financeiro, a Bovespa manteve-se na maior parte da sessão com o sinal positivo. Por algumas horas, entretanto, o Ibovespa chegou a perder valor. Na mínima, registrou queda de 0,15%. Na máxima, teve alta de 1,00%. O indicador fechou no positivo, subindo 0,62% aos 43.469,51 pontos. O volume financeiro realizado ficou em R$ 5,05 bilhões, bem menos do que o observado ontem (R$ 8,23 bilhões). 

Segundo analistas e operadores, o ganho representa basicamente um ajuste nos preços. Somente na sexta-feira passada e ontem, o Ibovespa perdeu 4,55% de seu valor. Em dólares, a Bovespa perde mais de 40% no ano. 

As ações da Petrobrás oscilaram entre os sinais negativo e positivo, acompanhando o comportamento errático do preço do petróleo. A ON da petroleira fechou em alta de 2,77%, a R$ 8,54. A PN encerrou cotada a R$ 6,79 (+2,26%). Além da pressão positiva da Petrobrás, o Ibovespa subiu sob a contribuição da valorização das ações da Vale. A mineradora, assim como as suas pares internacionais, reagiu positivamente à alta de 2% no preço do minério de ferro no mercado à vista chinês. A PNA da Vale encerrou o pregão em alta de 3,18%.

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