Dólar cai mais de 2% e volta a ser cotado abaixo de R$ 1,80

Desconsiderando o feriado da Consciência Negra, essa é a primeira queda da moeda em sete dias

Silvio Cascione, da Reuters,

28 de novembro de 2007 | 16h20

O dólar quebrou uma série de altas e recuou mais de 2% nesta quarta-feira, aproveitando a menor aversão ao risco no exterior e o interesse de estrangeiros nas ações da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) para fechar abaixo de R$ 1,80.  A moeda norte-americana terminou em baixa de 2,29%, a R$ 1,794. Desconsiderando o feriado da Consciência Negra, quando os negócios em São Paulo e Rio de Janeiro ficaram parados, foi a primeira queda após sete dias de alta.  O dia foi favorecido pela forte recuperação das bolsas internacionais. Em Wall Street, os principais índices subiam mais de 2% à tarde, enquanto o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo saltava 3,7%.  Declarações do vice-chairman do Federal Reserve, Donald Kohn, foram o principal combustível para a melhora no humor externo. Sua defesa de uma política monetária mais flexível foi interpretada pelo mercado como um sinal de corte do juro norte-americano na próxima reunião do Fed, em dezembro.  O ambiente mais favorável - no final da tarde, o Risco País caía 16 pontos-base - contribuiu para que os estrangeiros interrompessem o movimento de ajuste no mercado futuro que impulsionou o dólar nas últimas duas semanas.  O ajuste recente teve repercussão especial em um mercado com fluxo de câmbio que, apesar de positivo, foi mais fraco que o visto recentemente. De acordo com dados do Banco Central, o País registrava US$ 3,757 bilhões em entradas líquidas no mês até segunda-feira - desse montante, porém, US$ 3,148 bilhões já eram contabilizados até dia 16.  Assim, mesmo com a entrada efetiva de moeda, pesou mais no mercado durante esse período a redução de cerca de US$ 6 bilhões das posições vendidas dos estrangeiros no mercado futuro.  Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, afirmou que, como os bancos precisavam comprar dólares no mercado à vista para equilibrar as vendas que faziam no futuro aos estrangeiros, houve uma pressão forte sobre a taxa de câmbio.  "(Mas) dados concretos sinalizam que essa fase está relativamente superada", acrescentou. "Não está descartado (o dólar) fechar o ano a R$ 1,75."  Outro fator que derrubou o dólar foi a proximidade da oferta pública inicial de ações (IPO) da BM&F. A operação, a exemplo da abertura de capital da Bovespa em outubro, deve pressionar pela queda do dólar com a participação de investidores estrangeiros.  No final da sessão, o Banco Central comprou dólares no mercado à vista e aceitou, segundo operadores, ao menos três das propostas divulgadas. A taxa de corte foi de R$ 1,7945.

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