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Dólar cai, mas argentinos continuam comprando

Um suspiro de tenso alívio percorreu ogoverno do presidente Eduardo Duhalde, quando nesta terça-feira o dólar teve uma leve queda em relação à cotação da véspera - que haviasido de 4 pesos - e terminou a jornada em 3,15 pesos nas casas de câmbio. Nos bancos, graças à injeção de dólares do Banco Central, a cotação fechou em 3 pesos.No entanto, apesar da queda, o nervosismo estava presente em milhares de pessoas que invadiram o centro portenho à procura da moeda americana. A expectativa é que centenas de pessoas que não conseguiram comprar dólares hoje retornem amanhã para adqüirir a cobiçada moeda norte-americana.Levados pela "febre verde", os primeiros compradores dedólares chegaram às portas das casas de câmbio e dos bancospouco depois da meia-noite. Centenas de pessoas, sem se importar em dormir ao relento, esperaram pacientemente a abertura do mercado.No entanto, de manhã, por causa de diversos fura-filas,começaram tumultos na frente das entidades financeiras,incluindo empurrões, gritos e socos. Para conter a multidão, o governo decidiu enviar destacamentos policiais com cassetetes e carros blindados, que permaneceram ostensivamente toda a jornada no lugar.Os únicos que comemoraram o segundo dia de histeria foram os "coleros" como são chamados as pessoas que em troca de uns pesos, fazem "colas" ("filas") para outras pessoas. Nassemanas anteriores, quando a febre do dólar ainda era menor, os "coleros" cobravam 5 pesos. Mas desde esta segunda-feira, a"tarifa" subuiu para 10 pesos.Ao longo do dia, a cotação do dólar começou a cairgradualmente, graças à intervenção do Banco Central, que injetou dólares nos bancos, para que estes os vendessem com a condição de que fosse a um preço somente 5 centavos superior à cotação do BC.De manhã cedo, esta cotação era de 3,10 pesos, mas no fim do dia chegou a 3 pesos. Desta forma, a cotação nos bancos foi mais baixa do que nas casas de câmbio.O economista Raúl Ochoa disse à Agência Estado que o fator que mais contribuiu para a queda do dólar foi a intervenção do BC. "Estas intervenções podem ser feitas, mas não todos os dias. Isto é preocupante", disse.O economista considera que apesar da queda desta terça-feira,o dólar poderia continuar subindo na próxima semana, depois dos feriados de Semana Santa e do dia das Malvinas.Segundo ele, diariamente saem 50 milhões de pesos (US$ 15,8 milhões) do "corralito" (denominação do semicongelamento de depósitos bancários), que vão diretamente das mãos dos correntistas para a compra de dólares, o que acaba aumentando a cotação da moeda norte-americana."Esta drenagem de dinheiro obriga o BC à uma intervençãopermanente. O governo precisaria criar mecanismos que tornassem interessante para o correntista deixar seu dinheiro no banco, como taxas de juros mais elevadas. Enquanto isso não mudar, o problema permanecerá."O próprio presidente do BC, Mario Blejer, que está emWashington mantendo diversas reuniões com integrantes do FMI, afirmou que pode fazer muito pouco para deter a escalada do dólar, e admitiu que "as pessoas estão dispostas a pagar qualquer preço pela moeda americana".Segundo Blejer, a cotação do dólar "é um reflexo de tudo,como a confiança na Justiça, nas instituições, e evidentemente, também no programa econômico". Segundo Blejer, "não é possível aumentar a confiança de um dia para outro". O presidente do BC sustentou que "se o governo reagir com pânico, a confiança vai desmoronar mais ainda".O secretário-geral da presidência, Aníbal Fernández, tentouminimizar a cotação ainda alta do dólar afirmando que "não é uma hecatombe". No entanto, o próprio Fernández, minutos depois afirmou que "serão várias as crises que teremos que suportar no futuro próximo". O secretário-geral da presidência sustentouque o governo usará "todas suas forças" para deter uma escalada da inflação.O chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, admitiuque o presidente Duhalde está "preocupado" pela cotação dodólar. "É óbvio que estamos preocupados pela situação do dólar, já que a estabilidade cambial incide diretamente na estrutura dos preços."Capitanich também informou que os empresários de supermercados em uma reunião realizada na Casa Rosada, a sede do governo,comprometaram-se a não trasladar a alta do dólar para os preços dos produtos. Nos últimos dois meses, os produtos da cesta básica aumentaram entre 40% e 60%.FMIO ministério da Economia anunciou que a missão detécnicos do FMI chegará no dia 1º de abril para revisar ascontas públicas da União e das províncias. A missão permaneceria no país durante quinze dias.O chefe da missão, o economista indiano Anoop Singhdesembarcaria no dia 8, e voltaria para Washington no dia 17. Ali, nos dias 20 e 21 de abril a diretoria do FMI realizará sua reunião anual. Em Buenos Aires especula-se que durante essas reuniões poderia decidir-se a ajuda financeira para aArgentina.Leia o especial

Agencia Estado,

26 de março de 2002 | 20h15

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