Dólar cai para nível mais baixo desde 10 de maio de 2006

O dólar comercial encerrou o primeiro dia útil desta semana mais curta por causa do Carnaval no nível mais baixo desde 10 de maio de 2006. No encerramento dos negócios, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 2,0770, em queda de 0,76% em relação aos últimos negócios de sexta-feira. Esta foi também a cotação mais baixa desta quarta. No patamar máximo, o dólar chegou a R$ 2,0860.O dia foi de poucos negócios - US$ 280 milhões de dólares, frente à média diária de US$ 2,9 bilhões da semana passada - e mais uma vez a atuação do Banco Central não foi suficiente para conter a queda da moeda norte-americana. O BC realizou mais um leilão de compra de dólares e a taxa de corte foi de R$ 2,0812. Segundo uma fonte no mercado, foram apresentadas 13 propostas com taxas entre R$ 2,0805 e R$ 2,0830 e sete instituições não informaram as taxas pedidas.No mercado de ações, a quarta-feira foi de pouca oscilação. Contudo, a leve alta foi suficiente para fazer o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo - fechar acima de 46 mil pontos pela primeira vez na história. No encerramento dos negócios, a Bolsa subiu 0,53%, em 46.090 pontos. O volume financeiro ficou em R$ 2 bilhões, mais de 1 bilhão de reais abaixo da média diária do ano.Os investidores monitoraram a reação externa aos dados econômicos dos Estados Unidos que mostraram inflação acima do esperado em janeiro. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,2% em janeiro. A informação derrubou as expectativas de um corte do juro norte-americano, o que derrubou o desempenho das bolsas dos EUA.EstudoEm meio às opiniões, principalmente dos exportadores, de que o real está muito valorizado frente ao dólar, um estudo elaborado pelo banco Merrill Lynch e divulgado nesta quarta-feira indica que o real é a segunda moeda mais subvalorizada na América Latina diante do dólar, ficando atrás apenas do peso argentino.Segundo apuração do correspondente João Caminoto, o "valor justo" do real diante da moeda norte-americana seria R$ 1,54. Para atingir seu "equilíbrio real", a moeda brasileira teria que se valorizar cerca de 28%, tomando-se como base a cotação de sexta-feira, em torno dos R$ 2,09.O estudo FX Compass foi criado pelo Merrill Lynch em 2003 para avaliar as moedas das dez maiores economias do mundo. Ampliado, cobre agora 16 moedas de países emergentes. Todas as moedas latino-americanas avaliadas estão subvalorizadas. O fato de uma moeda estar sub ou supervalorizada não significa que ela vai obrigatoriamente se ajustar ao seu "valor justo". O objetivo do levantamento é oferecer subsídios aos investidores para a análise da tendência de cotação de uma moeda no médio prazo.Segundo os analistas do Merrill Lynch, Daniel Tenengauzer e Parag Ramaiya, a subvalorização do real permanece próxima de seu pico. Mas poderá ser atenuada num cenário de crescimento econômico mundial mais fraco e um aumento da demanda doméstica no Brasil causado pelo declínio das taxa de juros. InflaçãoO fato é que, com o real mais forte, nos níveis atuais, o volume de importação tem se mantido alto, o que tem contribuído para a queda dos preços no mercado interno. Alguns analistas atribuem a inflação sob controle ao câmbio valorizado. Nesta quarta, a pesquisa semanal do BC indicou, pela terceira semana consecutiva, queda das perspectivas para a inflação em 2007. A nova rodada de consultas feitas pelo BC mostra que a expectativa para a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - usado como referência para a meta de inflação - este ano é de 3,94%, abaixo dos 3,97% estimados no levantamento anterior. Para 2008, as apostas se mantiveram em uma variação de 4%. Nos dois casos, as projeções estão abaixo da meta fixada pelo governo, de 4,5% com margem de variação de dois pontos porcentuais, para cima ou para baixo.Esta matéria foi alterada às 18h36, com inclusão de informações.

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