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Em dia instável, dólar fecha em alta de mais de 1%, a R$ 3,26

Negociação foi fortemente influenciada por declarações do vice-presidente do Fed sobre possibilidade de aumento dos juros nos EUA em setembro; Bolsa fechou com estabilidade

Ricardo Leopoldo e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2016 | 12h25
Atualizado 26 de agosto de 2016 | 23h54

SÃO PAULO - Após bastante oscilação durante a tarde, o dólar fechou com forte valorização frente ao real nesta sexta-feira, 26. A moeda americana terminou o dia a R$ 3,26, alta de 1,19%.

O vice-presidente do Federal Reserve, Stanley Fischer, segue apontado como o grande responsável pela virada nos mercados de ativos no Brasil nesta tarde. Em entrevista à CNBC, Fischer sinalizou que pode ser que os Estados Unidos estejam perto de duas altas de juros neste ano, sendo a primeira em setembro, embora o aperto monetário só deva ser ratificado por dados econômicos. Isso levou o dólar à máxima do dia às 15h51, a R$ 3,27, com elevação de 1,48%. 

O discurso de Janet Yellen, no simpósio de Jackson Hole, não sinalizou claramente que os EUA estão perto de iniciar um movimento de normalização da política monetária. "Mas esse é um papel que cabe ao presidente do Federal Reserve, que é moderar as opiniões divergentes que existem entre os dirigentes com direito a voto", comentou Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos. E Stanley Fischer destacou na entrevista que o mercado de trabalho nos EUA está indo bem, inclusive está próximo do pleno emprego.

As declarações dos líderes do Fed fez o câmbio oscilar bastante durante a tarde, a moeda saiu da mínima para máxima em apenas uma hora. Depois do discurso de Yellen, a moeda caiu a R$ 3,20, mas após sinalização de Fischer, a moeda voltou a subir.

Bolsa. A Bovespa também foi contagiada pela expectativa com a política monetária dos Estados Unidos nesta sexta-feira, mas fechou estável com 57.716,24 pontos (-0,01%). 

Logo após o discurso da presidente do Fed, Janet Yellen, no simpósio de Jackson Hole, a Bolsa operava em alta. Mas com as declarações do vice-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Stanley Fischer, que confirmou a possibilidade de aumento dos juros já na reunião de setembro, o Ibovespa reduziu a valorização e teve mínima de 0,80%.

Uma pequena melhora em Wall Street na última hora de negócios, no entanto, levou o Ibovespa a reduzir o ritmo de queda, para fechar estável. Essa melhora foi puxada pelas ações do setor bancário, que se manteve em alta na maior do dia e ganhou maior fôlego perto do fechamento. Segundo profissionais do mercado, esses papéis refletiram, em parte, a melhora da percepção com o cenário doméstico, a partir da chegada do processo de impeachment à sua reta final e à expectativa de avanço nas medidas de ajuste fiscal. Banco do Brasil ON fechou em alta de 2,05%, Itaú Unibanco avançou 1,22% e Bradesco PN ganhou 1,38%. 

As ações da Petrobras estiveram suscetíveis tanto ao noticiário do Fed quanto às oscilações dos preços do petróleo, que também enfrentaram volatilidade, mas subiram no final. No fechamento dos negócios, Petrobras ON, preferida dos investidores estrangeiros, teve alta de 0,74%, enquanto Petrobras PN, mais líquida, subiu 0,16%. A alta do dólar beneficiou as ações do setor exportador, por sinalizar aumento de receita em reais. Entre as maiores altas do dia estiveram Fibria ON (+2,64%) e JBS ON (+2,24%). 

Com o resultado de hoje, o Ibovespa encerra a semana contabilizando baixa de 2,34% e alta de 0,71% no acumulado de agosto. O giro financeiro totalizou R$ 7,327 bilhões, o maior da semana.

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