Amanda Perobelli/ Reuters
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Um dia após desabar, Bolsa sobe 7,14%; dólar cai

Mercado se recupera com perspectivas de ação dos governos para evitar recessão e com acordo da Rússia com Opep no caso do petróleo

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 09h02
Atualizado 10 de março de 2020 | 22h30

Com a perspectiva de que os governos, em especial dos Estados Unidos, devem ser mais enfáticos em suas ações para tentar amenizar o risco de recessão, que foi reforçado pela expansão do coronavírus, os índices das Bolsas brasileira e americana mostraram ímpeto para a valorização, em um misto de correção um dia após terem mostrado que o modo pânico estava instalado. Ao mesmo tempo, sinais da Rússia de que ainda pode haver acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para conter a produção do petróleo serviram de base para a recuperação de 8% da commodity – ainda assim retomando apenas em parte a forte queda de segunda-feira, quando teve sua maior perda diária desde 1991.

O Ibovespa fechou em alta de 7,14% na terça, o maior avanço desde 8 de dezembro de 2008 (8,31%), quando o então presidente eleito dos EUA Barack Obama anunciava pacote de investimentos em infraestrutura, em reação à grande crise global. Já em Wall Street, os três principais indicadores tiveram ganhos próximos a 5%, com Dow Jones encerrando com avanço de 4,89%, aos 25.015,16 pontos. A Bolsa teve a maior perda porcentual em um único dia desde setembro de 1998

À tarde, a declaração do secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, de que há um esforço bipartidário no Congresso por uma resposta econômica ao coronavírus animou os investidores e deu impulso extra às compras nos mercados acionários.

“Há muita conversa sobre estímulos, mas ainda não tivemos confirmação de uma atuação fiscal mais firme. Os problemas sobre a mesa, relacionados ao coronavírus, continuam os mesmos, não houve mudança de segunda para terça-feira”, afirmou André Perfeito, economista-chefe da Necton.

Para Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, o cenário continua muito nebuloso e não dá para dizer que há uma mudança de tendência. “Tivemos uma recuperação natural, pontual, dado o tombo da véspera, que abriu oportunidade para o mercado tomar ações com desconto, movimento visível desde a abertura da sessão”, disse.

Contribuiu para a recuperação do Ibovespa ainda o preço do minério de ferro negociado no Porto de Qingdao, na China, que havia fechado em alta de 4,70% na terça, a US$ 92,09 a tonelada. O avanço da commodity colocou a ação da Vale (18,45%) entre as de melhor desempenho do principal índice da Bolsa brasileira.

Dólar

O mercado de câmbio teve um dia de ajustes e realização de ganhos após a disparada do dólar, que subiu em 13 das últimas 15 sessões. A moeda americana fechou em queda de 1,63%, o maior recuo porcentual desde 4 de setembro de 2019, aos R$ 4,6472. O real acompanhou o comportamento de outras moedas de emergentes, que ganharam valor perante a divisa dos Estados Unidos.

O novo leilão de US$ 2 bilhões no mercado à vista pelo Banco Central também contribuiu para a queda do dólar, de acordo com operadores. Desde segunda-feira, o BC colocou US$ 5,5 bilhões em dinheiro novo no mercado de câmbio. Mas a visão é que a calmaria desta terça-feira não deve perdurar, pois persistem as incertezas sobre os efeitos do coronavírus e da guerra nos preços do petróleo.

O dia mais ameno nos mercados também teve reflexo no risco país. O Credit Default Swap (CDS) do Brasil estava em 187 pontos no fim da tarde ante 201,6 pontos mais cedo, de acordo com cotações da IHS Markit. / LUIZ EDUARDO LEAL, GABRIEL BUENO DA COSTA E ALTAMIRO SILVA JUNIOR

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