Dólar cai pelo 2o dia e retorna a R$1,81

A piora na nota da Espanha pela agência de classificação de risco Fitch não impediu a queda do dólar frente ao real nesta sexta-feira, em uma sessão já influenciada pelo vencimento de contratos futuros às vésperas de um fim de semana prolongado no exterior.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

28 de maio de 2010 | 16h44

A moeda norte-americana terminou a 1,810 real, em baixa de 0,88 por cento. É o segundo dia seguido de queda do dólar.

A divisa agora acumula alta de 4,14 por cento no mês e de 3,84 por cento no ano.

A definição da Ptax (taxa de referência do dólar) que será usada para a liquidação de derivativos só acontece na segunda-feira, último dia do mês. Mas, com o feriado nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha e a consequente redução de liquidez, profissionais de mercado viram o início da disputa já nesta sessão.

Investidores com posições vendidas em dólar, como os bancos --segundo dados da BM&FBovespa--, trabalham a favor da queda da moeda norte-americana. Estrangeiros, com posições compradas, têm interesse em uma cotação mais elevada.

Com a queda desta sessão, o dólar fechou no nível mais baixo desde 14 de maio, afastando-se rapidamente do patamar de 1,904 real atingido há apenas três dias.

"Eu espero que essa volatilidade continue. O mercado vai continuar nervoso", avaliou Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez.

O volume de operações era de cerca de 2,5 bilhões de dólares, de acordo com dados parciais da clearing da BM&FBovespa perto do fechamento. Operadores não tinham clareza se o fluxo de capitais era positivo, como percebido na véspera.

No exterior, a decisão da Fitch de reduzir a nota da dívida soberana da Espanha a "AA+" incentivou a queda de 0,5 por cento do euro, mas não foi capaz de repetir as fortes variações vividas pelo mercado ao longo da semana.

No final de abril, a Standard & Poor's já havia reduzido a nota da Espanha para "AA". O país enfrenta a desconfiança dos investidores por causa do grande déficit fiscal, que reduz a capacidade de honrar dívidas.

"Não acho recomendável ficar muito posicionado nesses (próximos) dias, em qualquer direção", disse o gerente de câmbio de um banco nacional, que preferiu não ser citado. "Vai ter muita novidade ainda em relação à crise europeia".

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