Dólar cai pelo 2o dia, mercado está cético com medidas

O dólar fechou em queda pelo segundodia seguido nesta quarta-feira, acompanhando o comportamentotranquilo do restante do mercado enquanto o governo preparamedidas para conter a apreciação do real. A moeda norte-americana recuou 0,59 por cento, para 1,674real. No ano, a queda acumulada já é de 5,8 por cento. O dólar passou boa parte do dia em alta, à espera dasmedidas do governo contra a apreciação do real. Na terça-feira,uma fonte do Ministério da Fazenda confirmou que o anúnciopoderia ser feito já nesta quarta-feira. A alta, porém, não resistiu até a tarde. "O fluxo tem tidoinfluência nisso. Para mim, não há mudança de tendência", disseo gerente de câmbio de um banco estrangeiro, que preferiu nãoser identificado. Entre as medidas mais comentadas estão o fim da exigênciada cobertura cambial aos exportadores e a tributação sobre oinvestimento estrangeiro em títulos públicos. A avaliação damaior parte do mercado, porém, é a de que elas terão efeitoapenas limitado sobre a cotação do dólar. "Um dos fatores importantes que tem contribuído para avalorização do real é o elevadíssimo diferencial de juros",comentou Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora,em relatório. A taxa básica de juros no Brasil tem se mantidoem 11,25 por cento ao ano, enquanto a norte-americana, emtrajetória de queda, está em 3,0 por cento. TIRO NO PÉ? Sobre o fim da cobertura cambial, a maior parte dosanalistas avalia que é um passo importante para facilitar otrabalho dos exportadores, que não teriam mais que trazer,obrigatoriamente, parte dos dólares obtidos no exterior. "Estaria na direção correta de reduzir o custo dastransações no mercado de câmbio, mas provavelmente não será umimpedimento obrigatório sobre o fluxo de câmbio", avaliou ZeinaLatif, economista do ABN Amro, também em relatório. O gerente do banco estrangeiro concorda que nem todos osexportadores terão interesse em manter os dólares fora do país."Quem vai deixar o dólar lá fora, (remunerado) a 3 por cento,com a taxa (de juros) que nós temos hoje aqui?", perguntou. A tributação de estrangeiros, porém, enfrenta resistênciano mercado. "Seria um tiro no pé", disse Júlio César Vogeler,operador de câmbio da corretora Didier Levy. Há cerca de dois anos, o governo isentou os estrangeiros detributação para investir em títulos públicos, com o objetivo dealongar os prazos e aumentar a liquidez dos mercados. Para a economista do ABN, a cobrança de IOF (Imposto sobreOperações Financeiras) sobre as transações de câmbio paracompra de títulos públicos por estrangeiros "poderia ter algumimpacto sobre a moeda, mas isso tende a se esvair rapidamente." "Se colocar no papel, mesmo a taxação pode ser diluída numaaplicação de médio prazo", completou o gerente do bancoestrangeiro, que não quis ser identificado. Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, sugeriuuma possível medida para tirar parte da pressão de queda sobreo dólar. "O BC precisa interromper as rolagens dos 'swaps reversos',diminuindo assim as 'posições vendidas' dos bancos e destaforma restringindo a capacidade de atuarem como 'compradores'de dólares no mercado de derivativos", disse.

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