Dólar cai por exterior, mas bancos e BC minam queda maior

Após oscilar sem tendência em boa parte do dia, o dólar fechou a terça-feira em baixa frente ao real, copiando o movimento de depreciação observado em relação às principais moedas globais.

JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

15 de setembro de 2009 | 18h13

No final da sessão, a divisa norte-americana caiu 0,33 por cento, a 1,807 real na venda, depois de avançar 0,39 por cento na máxima e ceder 0,50 por cento na mínima do dia.

"O mercado está aguardando mais notícias que possam mexer mais fortemente com as cotações. Hoje especificamente, a alta nas bolsas à tarde ajudou na queda do dólar", disse a operadora de câmbio Roseli Braga, da SLW Corretora.

Nos últimos dias, a divisa dos EUA tem chegado a cair de 1,80 real, sem nunca fechar o dia abaixo desse piso. Um dos motivos são as operações de bancos reduzindo posições vendidas no mercado de câmbio futuro, que têm mantido as taxas levemente acima desse suporte.

Com base em números disponíveis no site da BM&FBovespa, apenas na véspera, as instituições bancárias diminuíram a 1,568 bilhão de dólares suas posições vendidas no mercado de dólar futuro e cupom cambial (DDI).

A depreciação do dólar acentuou-se também no mercado internacional. Frente a uma cesta com suas principais rivais, a divisa norte-americana cedia 0,27 por cento, após operar em torno da estabilidade durante parte da sessão.

A melhora nas principais bolsas de valores também ajudou. Em Wall Street, os índices ganhavam fôlego no final da tarde, depois de boas notícias da economia dos Estados Unidos.

As vendas no varejo do país subiram 2,7 por cento em agosto, ritmo mais rápido em três anos e meio. Analistas consultados pela Reuters previam um crescimento de 2 por cento em agosto.

Faltando menos de 1h para o encerramento das operações cambiais domésticas, o Banco Central anunciou seu leilão diário de compra de dólares, com taxa de corte de 1,806 real. Após a operação, a divisa norte-americana reduziu a queda.

EXPECTATIVAS

Profissionais do mercado avaliam que a atratividade de ativos brasileiros ainda se mantém, principalmente devido a mostras de que o país tem gerenciado a crise melhor que outras nações.

"Isso gera expectativas positivas. Mas, olhando por um prisma macroeconômico, observa-se também cautela, pois ainda não há sinais claros de que a crise econômica acabou", considerou o diretor de câmbio de um banco em São Paulo, que preferiu não ser identificado.

"Com isso, se houver uma notícia negativa mais forte, o dólar pode ter momentos pontuais de repique", acrescentou.

Para a equipe de analistas do BNP Paribas, a sustentação das condições de atratividade do Brasil e do apetite por risco de investidores deverá "mais do que" compensar problemas no segmento fiscal do país, algo visto como elemento potencial para desestimular aplicações em ativos brasileiros.

"Dessa forma, acreditamos que, nos próximos meses, a paridade entre o real e o dólar norte-americano tenda à estabilidade em torno dos níveis atuais, com leve tendência de valorização da nossa moeda", considerou o banco em relatório da véspera.

Em meio às discussões sobre a existência de um ponto de suporte à moeda norte-americana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o regime cambial não será mudado, mas é preciso fazer um esforço para responder à valorização do real.

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