Dólar cai por fluxo em dia fraco, à espera do Fed

O dólar fechou em leve baixa nestaterça-feira, influenciado pelo fluxo de moeda em mais umasessão de expectativa antes da decisão do Federal Reserve sobreos juros dos Estados Unidos. A moeda norte-americana terminou o dia com baixa de 0,45por cento, cotada a 1,758 real. Em dezembro, a divisa registradesvalorização de 2 por cento. Como na véspera, a cautela dominou o mercado de câmbio. Osagentes preferiam não montar grandes posições, à espera dadefinição dos juros nos Estados Unidos. "O pessoal está em cima do muro. E esse muro é estreito,com muita gente", ilustrou Carlos Alberto Postigo, operador decâmbio da corretora Action. E, segundo Marcelo Voss, economista-chefe da corretoraLiquidez, a queda do dólar foi "mais pressão de fluxo(positivo) num dia que teve baixíssima liquidez". A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fedserá anunciada às 17h15 (horário de Brasília). A maior parte domercado espera um corte de 0,25 ponto percentual na taxabásica, que iria para 4,25 por cento. Uma ala mais ousada,porém, ainda aposta em redução de 0,5 ponto percentual. A redução dos juros nos Estados Unidos, aliada à manutençãodas taxas no Brasil, aumenta a atratividade do mercado nacionalao reforçar a diferença entre as taxas cobradas nas duaspraças. Isso pode, segundo analistas, contribuir para a quedado dólar no Brasil, já que deve atrair um fluxo maior deinvestidores interessados em lucrar com os juros brasileiros. O cenário doméstico, porém, tem deixado o mercado inseguroquanto às condições para uma queda mais expressiva do dólar. Aintenção do governo de montar um fundo soberano com dólaresexcedentes, de acordo com declarações do ministro da Fazenda,Guido Mantega, tem interferido nas perspectivas, por exemplo. Segundo Postigo, caso ocorra "qualquer apreciação do realque fuja do que eles (governo) querem, eles podem entrar comesse tal de fundo soberano. O mercado não sabe para onde vai,ou o que vai acontecer. Está todo mundo cauteloso e inseguro". Além disso, o mercado passou a acompanhar de perto atramitação da CPMF (Contribuição Provisória sobre MovimentaçãoFinanceira). A possibilidade de que ela não venha a serprorrogada contraria as expectativas que os agentes vinhammantendo ao longo do ano e pressiona o mercado, principalmenteo de juros futuros. Segundo Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper,no Rio de Janeiro, uma eventual instabilidade nesse mercadopode contaminar os negócios no câmbio. Nesta terça-feira, amaioria dos contratos de juros futuros ficou em baixa. (Edição de Vanessa Stelzer)

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