Dólar causou restrição argentina ao Brasil, diz Alzueta

A restrição aplicada pelo governo argentino à entrada de geladeiras e fogões fabricados pelo Brasil ao seu mercado se deve, em parte, pelo alto custo dos produtos em decorrência da valorização do Real. A avaliação é do presidente da Câmara de Comércio Argentino Brasileira de São Paulo, Alberto Alzueta, em entrevista à Agência Estado. Segundo ele, essa restrição imposta pela Argentina não surpreende. "Não surpreende porque é motivo para uma nova negociação. Eles (argentinos) querem resguardar seus mercados", disse, em relação aos altos custos que os produtos brasileiros exportados atingiram na Argentina com o dólar em baixa.A intenção do governo argentino com a edição do mecanismo de licença não-automática é o de burocratizar a entrada dos produtos no País e forçar uma nova negociação com o setor privado brasileiro. A licença não-automática de importação atrasa os prazos de entrada dos produtos no mercado argentino. Desde a entrada em vigor da medida, as empresas brasileiras conseguiram exportar apenas 6,6 mil geladeiras para a Argentina em janeiro. No mesmo período do ano passado, foram vendidas 27,8 mil unidades.Para Alzueta, a Argentina vai acabar prorrogando a restrição à compra desses produtos brasileiros e "possivelmente aumentar". "O desejo da indústria da Argentina é que o Brasil ponha limites às exportações, já que produtos importados de outros países estão querendo entrar com preços menores", explica, ressaltando que a medida faz parte da pressão dos industriais argentinos que querem prorrogar um acordo de restrição às importações brasileiras, que vigorou em 2004 e em 2005."Alguns setores da Argentina querem postergar o acordo de restrição para as empresas saírem da crise e voltar a ter competitividade", alega. No entanto, segundo ele, os industriais brasileiros argumentam que a Argentina já teve tempo suficiente para se recuperar, através de um dólar em alta e de altas taxa de crescimento interno. "A Argentina teve tempo de recuperar sua competitividade", reconhece.Em relação a manutenção das restrições, ele diz que essa medida não é boa para o Mercosul. "Esse tipo de medida sempre deixa alguém desacordado, deixando brechas para futuras negociações". Alzueta diz que o que falta é uma integração maior das indústrias dos dois países. "Se os industriais brasileiros fizessem oferta para produzir componentes em conjunto com os argentinos, aí se estabeleceria uma relação consistente e duradoura. Seria inteligente se buscar esse tipo de parceria, para se ter um bloco consistente e monolítico, que pudesse conter a invasão de produtos asiáticos".

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