Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Dólar tem quinta alta seguida e fecha em R$ 3,486 nesta quarta-feira

Moeda americana chegou a romper a casa dos R$ 3,50 durante o dia; mercado minimiza resultado da pesquisa que aponta Lula na liderança entre eleitores, mas vê desconforto com a decisão da Segunda Turma do STF de retirar delação do petista do juiz Sérgio Moro

Silvana Rocha e Ana Luísa Westphalen, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2018 | 10h25

Após atingir a cotação de R$ 3,50 antes o real, o dólar  recuou um pouco no período da tarde e fechou a quarta-feira, 25, a R$ 3,486, alta de 0,45%.

O resultado marca o quinto dia seguido de valoriação da moeda, um movimento generalizado pelo mundo e que reage o humor dos investidores diante dos juros dos títulos públicos de dez anos dos Estados Unidos, que são comercializados acima dos 3% ao ano.

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No Brasil, opera como pano de fundo também a decisão da Segunda Turma do STF de tirar do juiz Sérgio Moro a delação da Odebrecht sobre Lula.  Ao ultrapassar a casa dos R$ 3,50 durante o dia, a moeda americana registrou a maior alta desde novembro de 2016.

O economista da MCM Consultores Antonio Madeira diz que o movimento de depreciação do real frente o dólar acompanha as perdas de outras moedas de países emergentes. "É um movimento mundial de depreciação de divisas emergentes por conta dos juros dos T-Note acima de 3% ao ano e apostas em alta da inflação e do juro americano mais rápido que o esperado", avalia.

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Internamente, segundo Madeira, a grande fragmentação na corrida eleitoral e a incerteza sobre o resultado da eleição não são novidades, minimizando o resultado da Pesquisa Ibope. Ele diz que há desconforto principalmente com a decisão da segunda turma do STF de retirar processos de Lula do juiz Sérgio Moro. "Começa a gerar um cenário mais extremo sobre possível revisão de decisões de Moro e da Justiça de segunda instância de Porto Alegre. É mais um risco no radar", avalia.

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Bolsa. A Bovespa fechou o dia com mais uma queda, nesta quarta-feira de 0,50%, aos 85.044,38 pontos. O mercado seguiu no Brasil em linha com o comportamento de suas pares internacionais.

No cenário político local, desagradou aos investidores o resultado da pesquisa Ibope, divulgada ontem. O levantamento mostrou que entre os eleitores de São Paulo o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) aparece em segundo lugar, empatado com o deputado Jair Bolsonaro (PSL), ambos com 14%. A expectativa era de que o tucano se saísse melhor na sondagem que ouviu eleitores do Estado que governou por quatro mandatos. Além disso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida, mesmo preso e condenado na Lava Jato. Também traz preocupação a vitória parcial que o petista obteve ontem, com a decisão da Segunda Turma do STF de retirar de Sérgio Moro menções da delação da Odebrecht que tratam do sítio de Atibaia (SP) e do Instituto Lula.

 

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