Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE

Dólar chega a subir 1% diante de guerra comercial entre EUA e China

Na máxima durante o pregão, moeda chegou a R$ 3,7834, alta de 1,14%; na Bolsa, aversão a risco também contamina mas índice é sustentado por alta nas ações dos bancos

Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2018 | 10h16

O dólar volta a operar em alta no mercado doméstico, sustentando o avanço dos juros futuros, em meio ao fortalecimento externo da moeda americana diante da escalada das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. Na última segunda-feira, 18, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou tarifar mais US$ 400 bilhões em produtos chineses se Pequim continuar retaliando as medidas comerciais de Washington. Em resposta, a China disse que os EUA deram início a uma "guerra comercial". Às 1130h, o dólar à vista subia 0,71%, a R$ 3,7679 , ante máxima a R$ 3,7834 (+1,14%). 

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Para os estrategistas de câmbio do banco norte-americano Brown Brothers Harriman (BBH), a grande intervenção do Banco Central no mercado terá consequências negativas. "Se o real continuar se enfraquecendo, as perdas com o câmbio que o BC acumular vão começar a afetar os números do Orçamento", ressaltam em relatório a clientes. 

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Para esta semana, a autoridade monetária prometeu colocar US$ 10 bilhões em swap cambial no câmbio. Na semana passada, por exemplo, foram vendidos outros cerca de US$ 24,5 bilhões desses contratos.

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Na Bolsa, a aversão a ativos de risco diante da escalada das tensões comerciais impõe perdas aos mercados acionários globais e no caso da Bovespa não deve ser diferente neste pregão. Por volta das 11h30,  entretanto, o Ibovespa subia 0,33% e retomava o patamar do 70 mil pontos. A alta é sustentada pelas ações dos bancos, graças à expectativa dos agentes do mercado quanto à conclusão da votação do projeto que trata do cadastro positivo. O plenário da Câmara havia marcado sessão extraordinária deliberativa para apreciar o projeto nesta terça.

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Nesse ambiente, crescem as expectativa em torno da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que começa hoje e termina amanhã. O mercado quer ver como o BC tratará o impacto do dólar na inflação doméstica. Por isso, além da decisão em si, há grande interesse pelo comunicado final da reunião. O Projeções Broadcast consultou 49 instituições financeiras e todas esperam que o Copom mantenha a Selic no atual patamar, de 6,50% ao ano, que é menor nível da história.

 

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