Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Dólar fecha a R$ 4,10, maior cotação em oito meses

Cenário político conturbado e guerra comercial levaram a moeda americana a registrar alta de 1,6% ante o real nesta sexta-feira

Antonio Perez e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2019 | 09h40
Atualizado 17 de maio de 2019 | 17h23

Com o ambiente político conturbado nesta sexta-feira, 17, o dólar acelerou o ritmo de alta, chegando a registrar R$ 4,1127 na máxima, em alta de 1,91%. Ao fim do pregão, a moeda americana marcou R$ 4,1002, com elevação de 1,60%.

É a maior cotação de fechamento do dólar no País desde 19 de setembro de 2018, quando terminou a R$4,13, depois da notícia de que, durante as eleições presidenciais, Paulo Guedes estudava a criação de um novo imposto nos moldes da CPMF.

Embora a sessão desta sexta-feira tenha sido marcada por fortalecimento global da moeda americana por conta da guerra comercial entre EUA e China, o real esteve entre os piores desempenhos das divisas emergentes, evidenciando o peso de fatores domésticos sobre a formação da taxa de câmbio.

No mercado de ações, o Ibovespa amargou o terceiro pregão consecutivo de queda, perdendo o nível dos 90 mil pontos. O principal índice de ações do País terminou a sexta-feira aos 89,992,73 pontos, em baixa de 0,04%.

Segundo operadores do mercado, a sequência de notícias políticas negativas e a deterioração das expectativas econômicas levaram os investidores a adotar uma postura mais defensiva, migrando para o dólar.

No exterior, os mercados acompanham os desdobramentos da disputa entre chineses e norte-americanos. Segundo o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), o aprofundamento das tensões comerciais nesta semana provocou a maior fuga de recursos de investidores estrangeiros das bolsas da China desde 2015.

Nesse período, foram retirados do mercado acionário chinês US$ 2,76 bilhões, que se somaram à saída líquida de US$ 2,56 bilhões na semana anterior, totalizando US$ 5,32 bilhões em apenas 15 dias.

 Na quinta-feira, 16, o dólar à vista fechou cotado a R$ 4,0357, no maior valor desde setembro de 2018, e a Bolsa caiu 1,75%, chegando aos 90.024 pontos.

Bolsonaro distribui mensagem sobre dificuldades para governar

A preocupação com o cenário piorou nesta sexta-feira depois que o presidente Jair Bolsonaro distribuiu em diversos grupos de WhatsApp um texto de "autor desconhecido" que trata das dificuldades que ele estaria enfrentando para governar.

O texto diz que o presidente está "sofrendo pressões de todas as corporações, em todos os poderes" e afirma que o País "está disfuncional", não por culpa de Bolsonaro, mas que "até agora (o presidente) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou".

Procurado pelo Estado para comentar sobre a mensagem, o presidente respondeu por meio do porta-voz: "Venho colocando todo meu esforço para governar o Brasil. Infelizmente os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o país de volta ao trilho do futuro promissor. Que Deus nos ajude!"

Veja a variação do dólar e Bolsa nos últimos meses até esta quinta-feira, 16:

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