Dólar começa o dia em alta de 0,98%

O leilão de US$ 1,1 bilhão de Letras do Tesouro (Letes), que será realizado hoje pelo governo argentino, já está mexendo com as operações no mercado financeiro no Brasil. O dólar comercial abriu cotado a R$ 1,9590 - alta de 0,98% em relação aos últimos negócios de ontem. Há pouco era negociado a R$ 1,9560 na ponta de venda dos negócios - alta de 0,82%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - começam o dia pagando juros de 18,400% ao ano, frente a 18,200% ao ano ontem. Essa é o primeira entrada de papéis argentinos no mercado depois que o ex-presidente da Argentina, Raúl Alfonsin, sugeriu que o país não pagasse sua dívida. Depois disso, a agência de risco Standard & Poor´s já colocou o rating (avaliação) do país sob observação. Portanto, trata-se do primeiro teste para avaliar de que forma os investidores estão analisando a situação atual da Argentina.De acordo com jornais argentinos, o ministro da Economia da Argentina, José Luis Machinea, e o secretário de Finanças, Daniel Marx, reuniram-se ontem com os 12 bancos líderes do mercado para saber qual taxa estarão dispostos a pagar no leilão. Os principais bancos afirmaram que esperam uma taxa próxima de 13% para os Letes de 91 dias e de entre 15,5% e 16% para os Letes de 364 dias. No leilão anterior, realizado em meados de outubro, o governo pagou 9,47% por Letes de três meses. No final da segunda-feira, o mercado financeiro recebeu a notícia da reunião entre os bancos e o governo argentino de forma positiva e o dólar comercial encerrou o dia em leve queda de 0,15%. Porém, de acordo com Eduardo Castro, diretor de renda fixa do ABN Amro Asset Management, depois da perspectiva de que o governo argentino pagará altas taxas no leilão, investidores reconsideraram a avaliação e isso foi percebido na abertura dos negócios no mercado de câmbio hoje. Castro afirma que no curto prazo é inevitável uma alta forte do dólar, já que ela sinaliza uma deterioração da situação argentina e os reflexos que ela pode ter no Brasil. "Os fundamentos internos e a situação fiscal do Brasil são muito favoráveis. Porém, devido às relações comerciais entre os dois países, o investidor estrangeiro tende a generalizar os cenários para os países da América Latina", afirma. Situação argentina hojeO governo argentino tenta aprovar no Congresso o orçamento para 2001 com um corte de gastos no valor de US$ 700 milhões. Para esse ano, a Argentina já tem dinheiro suficiente para pagar suas dívidas. A dúvida dos investidores é de que forma o país vai se financiar no próximo ano. Enquanto isso não está definido, os investidores mantêm a apreensão em relação ao futuro econômico do país.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.